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Assaltos em ônibus e morte, ate quando?

Há dois dias, um passageiro foi morto ao reagir a mais um assalto em Manaus

Publicado em 24/11/2022 às 09h06
Assaltos em ônibus e morte, ate quando?
Foto: Arquivo A CRÍTICA

A morte, há dois dias, de mais um passageiro de ônibus, vítima de assalto nesse tipo de transporte em Manaus, grita às autoridades como pedido de socorro e de denúncia pela omissão governamental. Os assaltantes de transporte coletivo atuam como se estivessem livres para agir e aumentar, vertiginosamente, as vítimas, algumas elas fatais.

É de completa insegurança que milhares de passageiros de ônibus urbanos reclamam e pedem, há tempo, providências efetivas. Todos os dias, em diferente zona da cidade, há assalto em coletivos e o sistema de inteligência da segurança pública não consegue oferecer respostas capazes de restaurar o direito de ir e vir nesse meio de transporte e de apresentar dados tecnicamente confiáveis de que os grupos de assaltantes estão sendo desmontados e responsabilizados pela justiça pelos crimes que cometem.

Passageiros vítimas desse tipo de assalto afirmam ter a sensação de que estão sozinhos, vulneráveis à ação, aparentemente sem obstáculo, dos assaltantes. Desta vez, o registro é de um passageiro morto à facada quando acompanhava a mulher e o filho para comemorar o aniversário do garoto em um shopping center da cidade. Que esse caso não seja mais um esquecido ou minimizado até uma nova ocorrência se tornar pública.

O transporte público já oferece uma série de transtornos diários aos passageiros obrigados a conviver com um tipo de serviço longe de ter qualidade. Algumas linhas permanecem precárias e repetem as cenas de ônibus parados porque apresentaram problemas e dezenas de passageiros do lado de fora aguardando resgate por outro carro que já os alcança com outros passageiros. É uma situação de desrespeito que se não for enfrentado será visto como “é assim mesmo”.

Não pode permanecer desse jeito, não pode ser normalizado esse tipo de serviço oferecido aos passageiros e não pode ser silenciado o tamanho e a gravidade desse problema. Permanecendo o ritmo de assaltos, as agressões contínuas aos passageiros, motoristas e cobradores e as mortes, o que está sendo incentivado a longo prazo é a reação incontida da população usuário de ônibus, a mais pobre e forçada a vencer grandes distâncias para ir ao trabalho, à escola, às áreas de lazer e entretenimento, enfim se locomover. É um direito que está sendo usurpado dos passageiros.

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