Blindagem da Zona Franca de Manaus contra o lockdown
A possibilidade de um lockdown em Manaus tem mobilizado lideranças da indústria local para que o setor produtivo não seja afetado pela medida. Os empresários apresentam dois argumentos ao governo e à prefeitura: a paralisação total resultaria em demissões e impactaria seriamente na arrecadação do Estado, onde o ICMS gerado pela indústria é uma das principais receitas. Negociações ocorreram ao longo de todo o dia de ontem e continuam, pois, para os empresários, o lockdown é uma questão de tempo.
Alinhamento O governador Wilson Lima alinhou-se aos posicionamentos da indústria e defende a manutenção da produção em caso de lockdown. A uma TV, ele afirmou que as fábricas não parariam. “principalmente as indústrias que trabalham com a fabricação de insumos e outros equipamentos fundamentais para o combater à covid. Essas não podem parar”, disse.
Polêmica Não foi sem polêmica que a Assembleia Legislativa aprovou, na manhã de ontem, a inclusão de igrejas e templos religiosos entre os serviços essenciais, e que, portanto, poderão funcionar, mesmo em caso de lockdown.
Embate Os deputados Serafim Corrêa (PSB), Wilker Barreto (Podemos), Dermilson Chagas (PP), Sinésio Campos (PT), e Belarmino Lins (PP) manifestaram-se contra a proposta, sendo vencidos pelos colegas. Belão chegou a pedir, em vão, que a matéria fosse retirada de pauta.
Curubão O Prefeito de São Gabriel da Cachoeira, Clovis Curubão (PT) foi transferido para Manaus. Ele está em tratamento de covid-19. O município com maior população indígena do País registra 18 casos da doença, com dois óbitos.
Dificuldades Deputados estaduais continuam encontrando dificuldades na utilização da plataforma digital que viabiliza as sessões online. Na sessão de ontem, os deputados Carlinhos Bessa, Álvaro Campelo e Mayara Pinheiro mal puderam acompanhar os debates.
Dificuldades 2 Mayara Pinheiro não conseguiu nem se logar na plataforma. A fala do deputado Serafim Corrêa a respeito do projeto que libera a abertura de igrejas durante a pandemia mal foi ouvida pelos colegas, motivando reclamações por parte de Sinésio Campos.
Calamidade O deputado Augusto Ferraz (DEM) manifestou preocupação com o fato de vários municípios do interior terem reconhecida a situação de calamidade pública por conta da pandemia do novo coronavírus. O parlamentar recomenda que o Ministério Público e demais órgãos de controle apertem a fiscalização dos gastos das prefeituras.
Calamidade 2 Só ontem, a Assembleia Legislativa reconheceu situação de calamidade em Urucurituba, Fonte Boa, Nova Olinda do Norte, Presidente Figueiredo, São Paulo de Olivença, Boa Vista do Ramos e Parintins. “É preciso fiscalização do Ministério Público para evitar que se tire proveito da situação”, disse Ferraz.
Chico Preto Em nota sobre o lockdown, onde manifesta que não concorda com a medida, o vereador Chico Preto referiu-se ao novo coronavírus como “vírus chinês”, termo que já foi usado em postagens do deputado federal Eduardo Bolsonaro causando uma crise diplomática com a China.
Foto: Euzivaldo Queiroz