Cidade de Manacapuru começa a ser afetada pela cheia
As tradicionais pontes de madeira já começaram a ser construídas em determinadas áreas da cidade, afetadas pela cheia do rio Solimões
Em um período de fortes chuvas, as cidades do interior do Amazonas já começaram a ser atingidas com a cheia. No município de Manacapuru, as tradicionais pontes de madeira já começaram a ser construídas em determinadas partes afetadas pela água.
Os moradores dessas áreas vão fazendo o que podem para lidar com a água invadindo suas casas, como é o caso de Pedro Ribeiro, 58 anos. Vivendo no bairro da Correnteza há 5 anos, o senhor se vê sem opções, com os pés já molhados dentro de sua palafita.
“Eu tava tentando conseguir pelo menos madeira para levantar um pouco a casa, porque não tenho como sair daqui que não tenho dinheiro para pagar aluguel. Difícil ter dinheiro para pagar a luz e até para comer, com umas tábuas dava para pelo menos dar uma ajeitada”, lamentou.
Este ano, o prognóstico do tradicional Alerta de Cheias, promovido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), está sendo estendido para Manacapuru, onde o Rio Solimões já atingiu 19,62m e a cota de inundação severa.
“Tem vezes que alaga e tem vezes que não. Na enchente grande a água já chegou a bater na cintura, mas tava mais atrasada. Ano passado faltou dois palmos para alagar. Esse ano já tá assim e ainda tem o mês de maio todinho. Quando chove é que enche mais também”, relatou o senhor Pedro.
Elizângela, 32 anos, está na mesma região há 16 anos e conta que seu pai que construiu onde Pedro mora atualmente, mas que, vendendo boa parte de suas coisas, conseguiram construir uma casa de alvenaria mais acima do nível do rio.
“Antes nós morávamos lá no meio do chavascal, aí viemos trocando e agora estamos nessa aqui. Tivemos que dar metade das coisas por ela, que antes era bem simples e meu pai construiu mais acima da água e melhorou o sofrimento. O complicado agora é essas pontes que são meio fraquinhas, mas é por pouco tempo”, disse.
Por morar metade da sua vida na mesma área, Elizângela já está acostumada com esse período anual e desde fevereiro já começa a se preparar.
“Nós temos uma caixa d’água, que quando o rio tá seco ela fica para o banheiro, mas agora a gente fica usando ela para cozinhar e lavar roupa, só não para beber que compramos. Conforme o rio vai subindo, nós vamos levantando as tábuas e assim vamos vivendo”, finalizou.