Contemplada com projeto, comunidade de Careiro da Várzea continua sem água potável
Cerca de 50 famílias foram contempladas em setembro com equipamento Salta - Z, que purifica qualquer tipo de água e a torna viável para o consumo. No entanto, a prefeitura do município não concluiu obras até hoje
Cerca de 50 famílias da comunidade São João Batista, situada às margens do Igarapé Açu, no município de Careiro da Várzea, distante 40 quilômetros de Manaus, estão sem acesso à água potável apesar de terem sido contempladas com o projeto liderado pela Defesa Civil do AM, que dá água de graça para atingidos pela estiagem dos rios no AM.
Entregue a prefeitura do município em setembro deste ano, o equipamento Salta – Z, que purifica qualquer tipo de água em menos de três minutos e a torna viável para o consumo, só chegou a três comunidades até o momento. Inclusive, o governador do Estado, Wilson Lima, foi até a região do Igarapé Açu entregar dez kits com a tecnologia para comunidades que enfrentam problemas similares aos das famílias do Açu. Na ocasião, ele anunciou a liberação de mais de R$ 600 mil dedicados para ajuda humanitária no município.
“Já tem muitos dias que o material está aqui na comunidade, mas a gente ainda tem que tirar água da cacimba, ou do rio, mas nessa época o rio está seco, e a água fica muito barrenta”, afirma Cledivaldo Tavares de Almeida, 46, agricultor e presidente da Associação de Moradores da Comunidade São João Batista.
O material que Cledivaldo se refere é uma caixa d’água de 5 mil litros, uma bomba de água movida com energia elétrica, alguns canos de curto alcance e o filtro Salta – Z. A tecnologia desenvolvida por servidores da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) utiliza materiais ecologicamente corretos e custam cerca de 25% menos que os modelos tradicionais. O filtro, caso tivesse sido implantado, abasteceria 10 pessoas que moram na casa de Cledivaldo, além dos mais de 100 comunitários de São João Batista.
“Veio uma equipe para fazer a instalação da caixa, e o prefeito ligou pra voltarem, pra não fazer a instalação. Eu não concordo com isso. Quanto custou para chegar essa benção na nossa comunidade? Anos e anos”, conta Jean dos Santos, 50.
A Defesa Civil do AM entregou 263 purificadores de água em 45 municípios que estão distribuídos nas 9 calhas que compõem o rio Amazonas. Cada purificador tem a capacidade de atender até mil pessoas. Parte final da implementação fica a cargo do executivo municipal. No caso do Careiro da Várzea foi elaborado um cronograma incompleto onde não constam datas e nem a previsão de implantação.
Igarapé sujo
Atualmente no período de seca, a água do Igarapé Açu recolhida em baldes e levada até a casa dos habitantes nos ombros dos comunitários está causando doenças como diarreia, vômito e mal-estar. “Para tomar água a gente tem que coar. É errado o que eles estão fazendo. A prefeitura não podia demorar tanto para entregar o que já está aqui na nossa comunidade. A gente tentou fazer a instalação por nossa própria conta, mas só quem entende pode concluir essa instalação, infelizmente”, declaro uma moradora que preferiu não ser identificada.
O secretário de Obras de Careiro da Várzea, Osmir Medeiros Filho, afirma que o município está seguindo cronograma de implantação do Salta-Z, mas que não há datas definidas de entrega para as comunidades. O secretário também disse que técnicos da Funasa estão no município para garantir a viabilidade da implantação.
“Só que quando a gente começou a preparar a implantação, nós nos deparamos com essa incapacidade de volume. Eles são soluções importantes, mas a gente esclarece para as comunidades, pela capacidade de vazão de água potável, não há como estabelecer uma data final de entrega em todas”, explica Osmir.
Enquanto o acesso ao direito básico não vem, os moradores da Comunidade São João Batista depositam a fé de melhores dias, sem doenças e com qualidade de vida, na união dos comunitários, que criaram uma rede de ajuda humanitária para purificar a água para o consumo. “Nos ajudamos por aqui, mas a situação é horrível. A gente vai até o fim, só Deus na nossa causa”, conclui Cledivaldo.