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Crise climática impõe desafios a seguradoras

Presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, disse que as seguradoras que não contemplarem as mudanças climáticas não venderão

Publicado em 28/05/2025 às 09h39
Crise climática impõe desafios a seguradoras
Foto: Agência Brasil

Diante dos crescentes desafios impostos pelas mudanças climáticas, o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, destacou na manhã desta segunda-feira, durante o evento Conseguro, realizado em São Paulo, que todas as seguradoras precisarão se adaptar aos eventos extremos ou não venderão.

“Se você não faz seguro residencial por conta de risco climáticos, você vai acabar não fazendo nenhum seguro residencial.

Quem não faz seguro de automóvel com cobertura para incidente climático, vai acabar não fazendo nenhum, porque vai ter em tudo”, afirmou o presidente.

Dyogo Oliveira disse, ainda, que é um desafio que precisa ser trabalhado pelas seguradoras, pois não tem expectativa de melhoras e acordos climáticos eficientes.

“É triste dizer o que eu vou dizer agora, mas eu não vejo hoje, nenhuma possibilidade dos governos do mundo, chegarem a um acordo que vai parar o processo de aquecimento global”, destacou.

Oliveira explicou que um dos motivos são as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, que deixarão os outros países em alerta e sem possibilidade de investir muito na transição energética.

“O fato é que ele está fazendo isso (tentando recuperar sua soberania comercial) e ao fazer isso, ele inviabiliza que qualquer outro país adote uma estratégia que seja de aumento de custo, e a transição tecnológica e energética implica, pelo menos nessa fase, aumento de custo, então nenhum outro país vai adotar uma agressiva política de redução de emissões. Portanto, o mundo vai continuar aquecendo”, disse.

O presidente da CNseg falou sobre o esquecimento das seguradoras nas discussões climáticas do mundo, mas que agora, mudanças climáticas > setor de seguros, a crise climática global exige que o setor de seguros amplie sua atuação para cobrir os riscos provocados por eventos extremos.

A avaliação foi feita pelo presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, durante evento do segmento em São Paulo.

Pela primeira vez, serão um dos eixos trabalhados na COP-30, em Belém. “Essa indústria de seguros tem um papel fundamental nesse processo, ao assumir esses riscos, ao ajudar o país, a sociedade a gerenciar melhor esses riscos, a criar mecanismos de proteção e adaptação da sociedade, é isso que a sociedade vai demandar de nós cada vez mais em relação à questão climática”, disse Oliveira.

 

Não é um bom ativo, diz empresário

 

O governo federal brasileiro instituiu uma obrigatoriedade para que seguradoras, entidades de previdência complementar aberta, sociedades de capitalização e resseguradores destinem anualmente 0,5% de suas reservas técnicas e provisões para investimentos em créditos de carbono ou em fundos que os incluam.

Dyogo Oliveira afirmou que os créditos de carbono não são bons ativos para investimento.
“É evidente que isso não é um bom ativo, porque se fosse um bom ativo não seria obrigado a investir nisso. Só é obrigatório porque isso não é um bom ativo. É exatamente isso que nós não podemos fazer com os recursos do segurado, do participante da previdência, do cliente da capitalização, investir o dinheiro dele em maus ativos”, destacou o presidente da CNseg.

Oliveira também criticou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 5% que o Governo Federal quer colocar. “Essa indústria é 5,5% do PIB, um setor que financia 25% da dívida pública, desse mesmo governo que quer colocar um IOF tão absurdo que inviabiliza qualquer pessoa a aplicar mais 50 mil no VGBL (modalidade de previdência privada), porque 5% sobre a poupança da pessoa, olha que absurdo, não é 5% sobre o rendimento da pessoa, é 5% pelo que a pessoa poupou. Às vezes numa vida inteira, o sujeito ganhou um FGTS, 100 mil reais, quer colocar na previdência 5% de IOF”, informou.

Conforme divulgado no evento Conseguro 2025, o setor cresceu 12,2% em 2024 e tem previsão de aumentar em mais de 10% para 2025.

 

IA é exigência do setor

 

Durante o evento também foi destacada a importância de que as seguradoras se adaptem à Inteligência Artificial para vencer os desafios modernos. O palestrante David Roberts, fundador da Global Inspiration Goals, afirmou que aqueles que não se adaptarem ficarão para trás. “Você não precisa apenas mudar sua empresa, mas fazer uma disrupção no mercado que você está inserido.

É preciso que cause mudanças, novos produtos, novas ideias. Isso vai fazer não só sua empresa se fortalecer, mas causar uma mudança no setor”, disse.

David Roberts apresentou em quadros que o Brasil é um dos menos adaptados nessa questão, está à margem dos desenvolvimentos tecnológicos. Como mostra o gráfico, os que estão à esquerda são mais desenvolvidos e os à direita, menos.
Apesar das dificuldades que o país enfrenta, Roberts disse que a indústria 4.0 é uma importante para os negócios.

“É uma grande oportunidade para o setor de seguros.”

*A repórter viajou a São Paulo para participar do evento Conseguro 2025 a convite da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

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