Dantas nega pagamento de propina para manter contratos com a Seduc
Pagamento de 'mensalinho' a agentes públicos havia sido denunciado pelo próprio empresário, proprietário da Dantas Transportes, ao Ministério Público de Contas. Em conversa com deputados, entretanto, ele voltou atrás
Após uma reunião de quase duas horas a portas fechadas com deputados estaduais, o empresário Francisco Dantas da Silva negou qualquer pagamento de propina a agentes públicos para assegurar contrato em serviços de transporte escolar com o Estado. Ao fim da reunião, Dantas fugiu da imprensa, rodeado por seguranças, sem responder perguntas.
No último dia 22 de agosto, o Ministério Público de Contas (MPC) encaminhou ao Tribunal de Contas do Estado uma denúncia de irregularidades no contrato da Dantas Transporte celebrado com a Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (Seduc), com base na delação do dono da empresa.
A representação foi encaminhada ao então titular da pasta, Luiz Castro, e a servidores acusando indícios de crimes na prestação de serviços de transporte escolar da rede estadual.
Na delação de Dantas, um “mensalinho a agentes políticos” também foi citado, suscitando um esquema de pagamento de propina para não perder o contrato com o Governo. Para o deputado de oposição, Dermilson Chagas (PP), o encontro com o empresário não foi satisfatório. “Ele negou tudo. Não saio daqui satisfeito, sabemos que o contrato tem falhas. No processo do MPC ele não citou nomes, e nem aqui; disse que o contrato com a Secuc é difícil (…)ou ele mentiu lá ou mentiu aqui”, afirmou.
A presidente da comissão de Educação da Casa, deputada Therezinha Ruiz (PSDB), revelou que Dantas também não apontou nomes de dentro da Seduc que estariam pedindo favores ilegais.
“Ele negou a propina e sinto que nem conhece todos os políticos da ALE. Citou um ônus de R$ 9 milhões, quase, por pagamentos glosados pelo estado”, detalhou.
Um requerimento para a pasta estadual de educação encaminhar todos os valores contratuais e pagamentos executados nos últimos seis meses foi aprovado pelos 15 deputados presentes na reunião. O áudio do encontro também será entregue a órgãos de controle. As informações foram confirmadas pelo deputado Wilker Barreto (PHS).
“Ele não soube dizer quantos monitores contratou; ocorre que o estado estipula uma quantia e ele contrata por outra”, terminou.
Contratos
A empresa de Dantas possui contrato firmado com o Governo do Estado desde 2011, segundo o Portal da Transparência. O último contrato, com vigência até 1º de julho de 2019, foi acordado no valor de R$ 157.200, sem aditivos.
O Estado reteve parte de pagamentos à empresa por serviços que não foram prestados na totalidade pela Dantas Transportes, tendo sido glosado R$ 4,7 milhões no último pagamento realizado, de acordo com a Seduc. Segundo a denúncia feita por Dantas ao MPC, alguns serviços deixaram de ser prestados porque a empresa entrou no prejuízo devido ao pagamento de propina – o que negado, nesta quarta-feira (11), pelo empresário.
Em nota, a Seduc informou que o processo de nº 15475/2019 originou a redução do valor, uma vez que a mesma não cumpriu o que previa o contrato de 90 dias, que foi prorrogado por mais 90 dias. A pasta reduziu em 5,0997% o valor a ser pago para a empresa por constatar a contratação de somente 1.291 profissionais para atuar como monitores. O Projeto Básico previa a contratação de 1.487.
De acordo com a Secretaria, as glosas efetuadas no mês de julho correspondem ao pagamento contratual referente aos meses de março, abril, junho e julho. Em agosto será realizada glosa referente aos meses de maio e agosto.
A Seduc comunicou ainda que “tem total interesse em colaborar com os órgãos de controle e apurar e identificar quaisquer irregularidades na execução do contrato nº 10/2019, relativo à prestação de serviço de transporte escolar, pontuadas pelo Ministério Público de Contas (MPC)” e que já está em andamento o processo para realizar licitação para o serviço na capital e no interior do Amazonas.