Decreto que desobriga máscaras em locais abertos divide opiniões de manauaras
Mesmo com a utilização da máscara sendo facultativa, muitos dos manauaras ainda não se sentem seguros – e até mesmo confortáveis - sem ela e com a Covid-19 ainda circulando.
Mesmo com o decreto da Prefeitura de Manaus – publicado nesta quarta-feira (16), no Diário Oficial do Município – que desobriga os moradores da capital a usarem máscaras em ambientes abertos, o uso da proteção deve continuar valendo para a maioria. Isso porque mesmo com a utilização da máscara sendo facultativa, muitos dos manauaras ainda não se sentem seguros – e até mesmo confortáveis – sem ela e com a Covid-19 ainda circulando.
Esse é o caso do vendedor Wellington Albuquerque, que trabalha no terminal 2, no bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus. Com as doses da vacina contra a Covid-19 em dia, ele afirma que mesmo com o decreto publicado pela Prefeitura, a utilização da máscara seguirá firme, principalmente pensando na proteção da família.
“Eu tenho filhos, moro com a minha mãe, então ainda prefiro não arriscar, então sigo de máscara. Quem não quiser, está no seu direito, ainda mais agora, mas eu prefiro manter do jeito que tá, até porque ainda tem essas variantes por aí. Cada um se cuida do jeito que acha melhor”, afirma o vendedor.
De acordo com o decreto, a decisão da Prefeitura de Manaus em liberar o uso de máscaras em locais públicos levou em conta dados epidemiológicos divulgados pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), com destaque para a redução de 80% na taxa de incidência de casos em todas as faixas etárias, e de 35% em internações hospitalares, além da diminuição do número de óbitos por Covid-19 na capital. No entanto, nas ruas ainda há muito manauaras em dúvidas com o documento.
“Eu tenho algumas perguntas porque ainda cheguei a ler algumas partes desse decreto, e tipo, qual a grande diferença entre lugar aberto e fechado? O vírus anda da mesma forma, pelo menos para mim. E aqui por exemplo [para de ônibus na Avenida Itacoatiara], tem muita gente reunida em um espaço pequeno, que ao meu ver ainda é um espaço aberto. Você não acha que esse lugar em um horário de pico, não oferece o mesmo perigo de pegar Covid-19 que outros ambientes fechados?”, indaga o segurança Vanderson Cabral.
Em contrapartida, há aqueles que vem a liberação da máscara como importante para a retomada da vida como era antes da pandemia da Covid-19. É o que afirma uma professora que preferiu não ter o nome divulgado, mas que vê o ato como uma forma de respeito a liberdade de escolha dos cidadãos.
“Não podem obrigar as pessoas a usarem ou não nada, isso não é certo. Tomei as vacinas e me sinto segura para não usar máscaras tanto assim, então esse decreto só vem deixar que as pessoas tenham direito a essa escolha. Quem quiser continuar usando que use, é a sua opção, mas eu mesmo não vou usar [em locais abertos]”, relata.
Vale lembrar que a utilização de máscaras como forma de prevenção contra a Covid-19 era obrigatória em Manaus desde junho de 2020. Segundo a lei que determina o uso obrigatório da proteção, a multa para quem não utilizar máscara é de pouco mais de R$114.
O decreto publicado na quarta-feira mantém a obrigatoriedade da máscara em ambientes fechados e também recomenda que imunossuprimidos e idosos com mais de 70 anos continuem usando a proteção em todos os ambientes.
Ainda segundo a Prefeitura de Manaus, até a terça-feira (15) foram administradas 3,9 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 na capital, o que corresponde a 85,73% da população com 12 anos ou mais de idade com esquema vacinal completo ou dose única.