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Do Boi-Bumbá, Oséas Bentes assume alegorias da Mocidade do Coroado

Escola de Samba promete surpreender e fechar o desfile do Carnaval de Manaus com chave ouro levando para o Sambódromo o enredo 'Do Barro ao Petróleo Verde, a Mocidade vem Coroar o Sonho Maturo, Iranduba a Cidade do Futuro'

Publicado em 20/02/2020 às 11h59 · Atualizado em 10/03/2022 às 12h03
Do Boi-Bumbá, Oséas Bentes assume alegorias da Mocidade do Coroado
Foto: Eraldo Lopes

Agremiação que desde 2014 não desfilava no Grupo Especial e que vem de um tricampeonato nos grupos de acesso do Carnaval amazonense, a Mocidade do Coroado, em 2020, promete surpreender e fechar o desfile do Carnaval de Manaus com chave ouro levando para o Sambódromo o enredo “Do Barro ao Petróleo Verde, a Mocidade vem Coroar o Sonho Maturo, Iranduba a Cidade do Futuro”.

A escola se apresentará já na manhã do Domingo Gordo, a partir das 5h20, decidida a se manter na divisão de elite da folia amazonense.

“Nosso trabalho é para se manter no Grupo Especial. Não posso dizer que vamos conquistar o título, mas queremos nos manter e continuar o trabalho para o próximo ano”, enfatizou o presidente Raimundo Elielson.

E é para continuar no Especial do Carnaval que a Mocidade do Coroado contratou um dos mais conhecidos e renomados artistas do Festival Folclórico de Parintins: o consagrado Oséas Bentes, que até ano passado estava no Boi Garantido e que nesta temporada fechou com o Caprichoso. Bentes é a experiência que a Coroado precisa para uma grande apresentação alegórica e somar pontos para se manter e se consolidar após alguns anos no Grupo de Acesso.

Dos 56 anos de idade o artista tem 28 só de Carnaval. Sua primeira escola de samba foi a Sem Compromisso, numa época na qual não haviam os barracões de alegorias, onde a confecção dos carros era realizada em uma área ao lado do antigo estádio Vivaldo Lima, hoje Arena da Amazônia, e o desfile propriamente dito na avenida Djalma Batista. Depois, teve passagens campeãs pela Mocidade de Aparecida e, no ano passado, estava na Andanças de Ciganos.

“Fazer arte no Carnaval é um trabalho para quem gosta, que nos conduz”, relata ele. Oséas conta que é diferente trabalhar em uma escola que subiu de divisão, como a Mocidade do Coroado, pois a mentalidade ainda é de agremiação de acesso.

(Foto: Eraldo Lopes)

“Por isso, através da minha experiência, estou tentando conscientizar a todos da escola de samba que nosso Carnaval tem que ser de nível maior, com certeza. Tenho que passar isso pra eles e colocar, também, que o modo que se trabalha não é diferente das demais agremiações que tentam superar todas as dificuldades que um Carnaval de primeiro grupo tem”, explica o artesão.

O reforço artístico disse que conta com a confiança do presidente da Mocidade do Coroado, para “repassar a condição de experiência que adquiriu nos anos e anos de Carnaval”, o que dá segurança para a escola “não porque sou melhor que ninguém, mas porquê tenho experiência”.

Desafio prazeroso em construir arte

O ambiente de um galpão de boi-bumbá ou barracão de escola de samba é o que se chama de “habitat natural” para artistas como Oséas Bentes. “Eu vivo da arte, eu gosto da arte”, ressalta. A estreia pela Mocidade do Coroado será mais um desafio em seu extenso currículo.

“Todo ano é um desafio. Mas é como eu disse antes: vivemos e gostamos da arte, que é uma beleza, que mexe com o sentimento de qualquer ser humano. E o Carnaval não é diferente pois é uma arte cultural muito grandiosa em nosso País e mundo e que aqui não deixa de fazer parte de tudo isso”, declara o artista parintinense.

Ele explica que os trabalhos no barracão da Coroado vão consumir cerca de 40 dias para a confecção de três carros alegóricos e mais um tripé.

“Estamos executando esse serviço com uma equipe mínima de 12 pessoas que já é reduzida em face das condições financeiras. Mas estamos fazendo o máximo possível para acompanhar as outras escolas de samba que já tem essa experiência do Grupo Especial”, aborda o artesão.

Oséas Bentes comenta que a utilização de materiais alternativos é a saída para driblar a crise. “Tipo, se um tecido não fica bom, a solução será fazer arte com pintura, um desenho, uma cor, um colorido. Você tem que achar uma alternativa, e é aí, nessas horas, que entramos”, ensina Oséas.

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