Estados alinham pauta para avançar na COP 26
Governos estaduais querem mostrar avanços locais nas políticas ambientais para se desvincular da imagem criada pelo governo federal
O Amazonas sediou, na última segunda-feira (27), a 103ª Reunião Ordinária da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema). O evento reuniu representantes de 14 secretarias estaduais e mais 21 autarquias que tratam sobre a temática. A Abema buscou alinhar as pautas que serão apresentadas pelo Brasil na 26ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 26.
De acordo com a presidente a Abema, Mauren Lazzaretti, que comanda a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso, os governadores devem apresentar um Brasil diferente do que o governo federal tem apresentado desde de 2019, quando o mundo jogou luz à Amazônia questionando a afetividade das ações ambientais do país após o crescente aumento do desmatamento.
“O mundo também precisa olhar para o Brasil, compreender onde nós avançamos e ajudar economicamente para que nós possamos continuar prestando serviços ambientais ao país e ao mundo. O meio ambiente de qualidade exige investimento financeiro. Nós não temos como discutir a agenda ambiental sem entender as pessoas, as necessidades das pessoas e aí o olhar nesse aspecto é sempre voltado â Amazônia”, explicou Lazzaretti.
Imagem positiva
A presidente acrescentou ainda que a expectativa é que a COP 26 possa auxiliar o Brasil a criar uma imagem positiva no trabalho ambiental desenvolvolvido pelos estados, desmistificando dados que, segundo ela, “ são sempre veiculado de forma talvez inadequada”.
A tentativa de desvinculação da imagem da questão ambiental no Brasil, ocorre dias após o ativista e ator Leonardo de Caprio, usar o Twitter para elogiar o trabalho prol Amazônia dos governadores do Amazonas, Wilson Lima (PSC), do Pará, Helder Barbalho (MDB), e do Amapá, Waldez Góes (PDT).
O titular a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Amazonas (Sema), Eduardo Taveira, destacou que a marca Amazônia tem sido uma peça-chave para que o Estado tenha espaço para novos financiamentos. Para isso é preciso um plano desafiador como o ingresso no Race To Zero, – corrida para o zero, em tradução literal – que convida os estados a zerarem as emissões de carbono até 2050.
Taveira também indica que a nova administração federal do Meio Ambiente, agora sob a coordenação de Joaquim Leite, tem buscado reatar linhas de comunicação que haviam sido perdidas ao longo da gestão de Ricardo Salles.
“O governo do Amazonas assumiu os compromissos internacionais como o Race to Zero que é para zerar as suas emissões líquidas com políticas públicas que possam garantir essa oportunidade e buscando alternativas de compatibilizar o crescimento econômico do primeiro setor e o apoio as comunidades tradicionais ribeirinhas e indígena para que essas atividades garantam que é a pauta da Adema aqui no Amazonas: o caminho para tirar as pessoas da pobreza para que as pessoas possam pensar a longo prazo, porque quem tem fome não pensa em longo prazo. Reverter esse fluxo da pobreza é fundamental para que a gente possa ter um futuro mais sustentável”, declarou o secretário.
Desempenho
O bom desempenho ambiental do Amazonas em relação ao meio ambiente colaborou, por exemplo, para a facilitação do empréstimo de US$ 80 milhões, o equivalente a R $ 416 milhões, para investimentos no Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamim), por meio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).