Evento termina com debates sobre desenvolvimento sustentável da Amazônia
As discussões fizeram parte da programação do último dia do IV Seminário Internacional de Ciências do Meio Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia
O 4º Seminário Internacional de Ciências do Meio Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia (Sicasa) encerrou nesta quinta-feira (22) com o desafio de apontar os caminhos para o desenvolvimento sustentável na região nos próximos 14 anos. O tema foi debatido por 13 Grupos de Trabalhos (GT) no último dia do evento, que teve início no dia 19, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Espera-se que as produções intelectuais apresentadas [450 trabalhos científicos] contribuam com o cumprimento das metas da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
As mudanças climáticas e o uso sustentável das florestas foram discutidos pelo GT 9, coordenado pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Niro Higuchi. Na ocasião, ele ressaltou que o mundo mudou e está mudando e nós sabemos muito pouco sobre as nossas vulnerabilidades. “É preciso saber quais são nossas vulnerabilidades em relação às mudanças do clima para poder nos preparar para futuras adaptações”.
O pesquisador observou que, agora, seja qual for a pesquisa, será preciso ficar atento a responsabilidade social que ela vai produzir. “Ainda não dá para ver completamente quais são nossas vulnerabilidades, mas percebemos algumas mudanças. Em 2009, houve uma grande cheia no início do ano e uma grande seca no fim do ano. Em 2010, tivemos enchente recorde. Este ano, estamos tendo uma grande seca e vamos continuar vivendo isso no decorrer do tempo”, afirmou.
No GT 13, o debate focou na “Defesa e Forças Armadas na Amazônia”. Um dos principais objetivos do grupo foi unir militares e acadêmicos para pensar, de maneira conjunta, ações que podem ajudar na defesa e segurança da região, conforme explicou o professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, Tássio Franchi.
“Essa integração nos trouxe um resultado a nível nacional. Temos a Associação Brasileira de Estudo de Defesa e programas de Pós-Graduação na área de defesa que recebem civis e militares”, disse o professor.
Para Franchi, o desafio é promover pesquisa e debate para a troca de informações. As atividades, disse, podem proporcionar maior conhecimento na área de diferentes órgãos e auxiliar melhor o desenvolvimento das ações. “A defesa não se faz com fuzis, você a constrói. A primeira linha de defesa de uma nação é a educação e, a segunda, o conhecimento e desenvolvimento”, apontou.
Promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente (CCA) da Ufam, o 4º Sicasa foi realizado entre 19 e 22 de setembro, no campus da instituição.
Paralelamente, foi realizado o 1º Encontro Amazônico da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade. Os eventos reuniram alunos, professores e pesquisadores ligados ao tema.
‘Queremos na Amazônia uma ciência útil e engajada’
O professor Henrique Pereira, coordenador do Sicasa, disse que o seminário não é apenas um evento acadêmico. “Ele focou em produzir uma reflexão na academia. A mensagem do nosso projeto é a de que nos próximos anos possamos estar sintonizados com os objetivos do desenvolvimento sustentável”, disse. “Além disso, queremos uma ciência útil e engajada na Amazônia. Todas as pesquisas serão publicadas em anais para que as todas as pessoas tenham acesso”, completou o professor.
Henrique Pereira – coordenador do Sicasa
“O Sicasa procura mostrar para a academia que nós temos uma agenda para o desenvolvimento sustentável e que devemos nos comprometer com os próximos 14 anos. Queremos pautar a academia em torno dessa agenda, então foram apontados trazes grande temas que esperamos que influenciem as escolhas das medidas que ajudarão a Amazônia a atingir a meta da Agenda 2030 da ONU. Começamos demonstrando os trabalhos que estão dialogando com esses temas. Cada um desses trabalhos mostra ideias de como alcançar as trilhas para se chegar as metas. Para mim, há dois pontos principais para termos uma sociedade sustentável: primeiro que o desejo de mudar e garantir a sobrevivência não pode ser importo, tem que ser construídos da sociedade para os governos e, segundo, que ninguém pode ficar para trás. É necessário que a garantia da qualidade ambiental do planeta seja igual para todos”.