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Focos de calor no Amazonas caem 82% em 2025 e registram maior redução da série histórica

Queda é atribuída a fatores climáticos, reforço na fiscalização, investimentos ambientais e interiorização do Corpo de Bombeiros

Publicado em 03/01/2026 às 11h31
Focos de calor no Amazonas caem 82% em 2025 e registram maior redução da série histórica

O Amazonas encerra 2025 com o registro de 4.545 focos de calor, o que representa uma queda de 82% em comparação aos 25.499 focos de 2024. A diferença em 12 meses se tornou a maior queda já registrada pelo estado desde o início da medição pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1998.

Um dos fatores que ajudam a explicar essa queda é que 2024 foi um ano atípico. Naquele período, o Amazonas registrou um recorde negativo de focos de calor, em meio à maior seca já documentada na Amazônia e à forte influência do fenômeno El Niño, que reduz a ocorrência de chuvas. Com um patamar tão elevado no ano anterior, a comparação com 2025 acabou resultando em uma queda mais acentuada.

O secretário de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, destaca que a diminuição das queimadas pode ser explicada, em partes, por questões climáticas. Ele também citou investimentos estaduais para reforçar a atuação contra queimadas ilegais.

“A gente teve períodos de chuvas mais longos. Inclusive o período do verão amazônico de 2025, aqui no estado do Amazonas, ficou caracterizado por um dado de maiores incidências de chuva”, disse.

“Outro fator é o Corpo de Bombeiros. A estrutura interiorizada está cobrindo mais de 90% dos municípios que apresentaram em 2024 e 2025 os picos de calor, o sul dos estados do Amazonas, o eixo da BR-319 e também grande parte da região metropolitana”, acrescentou.

Ele também citou um investimento de R$ 45 milhões no Corpo de Bombeiros, por meio do Fundo Amazônia, do governo federal, com apoio do banco alemão KFW, um parceiro estratégico do governo do Amazonas.

A nova redução de 82% apresentada pelo estado ficou acima da média nacional. O Brasil registrou 278.229 focos em 2024, que caiu para 136.248 em 2025, representando 51% a menos. A região Norte saiu de 125.529 para 40.922, chegando a uma queda de 67%.


Avaliação

Para além da questão climática, que ajuda a entender a queda nos focos, o presidente do Fórum de Secretários Municipais de Meio Ambiente do Amazonas (Fopes-AM), Olavo Angiolis, atribui esses resultados a um trabalho de conscientização nos municípios e a alternativas para uma agricultura mais sustentável.

“Esse ano temos um registro menor que os demais anos. Acreditamos que o trabalho de conscientização e o trabalho que alguns municípios estão fazendo na agricultura está dando resultado positivo”, disse.

O presidente explicou que os trabalhos em áreas degradadas estão entre as ações que contribuíram nesse processo.

“Tem municípios trabalhando a questão da área degradada e fazendo mecanização agrícola. Então, com toda certeza, isso dá um impacto positivo quanto à questão de diminuição da queimada e do desmatamento”, ressaltou Angiolis.

Além disso, o presidente do fórum afirmou que a realização da COP 30, em Belém, fez com que a região se dedicasse mais para apresentar bons resultados.

“Outra coisa que também levou a isso foi a campanha pesada jogada devido à COP30 que foi feita na Amazônia. Então isso influencia muito”, afirmou.

A partir de agora, Angiolis ressalta que, para manter o padrão de reduções, os governos devem expandir os programas de agricultura familiar e mecanização.

“Devem continuar colocando programas voltados para agricultura familiar, programas esses que venham ao encontro da conservação do meio ambiente. Acredito que expandindo programas de mecanização de áreas degradadas e mecanização das várzeas ajudará muito a redução de desmatamento e queimadas”, informou.


2024: seca levou a pior cenário

Nos anos anteriores, Manaus e municípios da Região Metropolitana e do Sul do Amazonas enfrentaram momentos críticos devido às queimadas e à estiagem severa, especialmente em 2023 e 2024. Nesse período, a capital amazonense ficou encoberta por dias seguidos e o aplicativo Selva, desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontava uma frequente péssima qualidade do ar.

Já em 2025, mesmo no “verão amazônico”, o Amazonas apresentou características dentro da normalidade, o que ajudou a recuperação de áreas antes degradadas ou muito secas.

Essa tendência já vinha se confirmando desde agosto, durante o verão, quando o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) já apontava para redução histórica nos focos de calor, com queda de 86,31% em relação ao mesmo período de 2024. Foram 942 ocorrências contra 6.879 em 2024.

O governo do Amazonas atribui as reduções nos focos à instalação de novos Grupamentos Integrados de Combate a Incêndio e Proteção Civil (GCIPs), ao monitoramento em tempo real e à intensificação das fiscalizações.

Até dezembro de 2025, as bases do Corpo de Bombeiros em todo o estado passaram de 11 para 32, um crescimento de 190%. Apenas em 2025, foram inaugurados 11 GCIPs em municípios estratégicos como Tapauá, Rio Preto da Eva, Novo Aripuanã, Maués, Lábrea, Manaquiri, Autazes, Jutaí, Coari, Apuí e Itapiranga. A meta para 2026 é a implantação de mais seis unidades.

Já o governo Lula, por meio do Ibama, coordenou grandes operações de fiscalização que resultaram na aplicação de mais de R$ 91 milhões em multas contra desmatamento e queimadas ilegais, com embargo de cerca de 16,4 mil hectares de floresta, em uma ação integrada no sul do estado, epicentro das queimadas.


Saiba mais

O que é foco de calor

Segundo o Inpe, foco de calor é um ponto na superfície terrestre detectado por satélites com temperatura acima de 47°C, indicando a presença de fogo ou uma área muito quente. Podem ser queimadas agrícolas, renovação de pastagens ou calor solar intenso.

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