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Fotógrafo amazonense Raphael Alves apresenta obras na Biblioteca Nacional da França

Artista participou de conferência internacional sobre fotografia brasileira contemporânea e destacou vivências amazônicas em obras premiadas

Publicado em 13/07/2025 às 10h12
Fotógrafo amazonense Raphael Alves apresenta obras na Biblioteca Nacional da França
Foto: Raphael Alves

O fotógrafo amazonense Raphael Alves, 42 anos, participou da conferência “A Fotografia Brasileira Contemporânea”, promovida pela Biblioteca Nacional da França (BNF), em Paris, como parte da programação da temporada cultural cruzada do Brasil na França. Na mesa “Mudanças climáticas e consciência ecológica no Brasil”, Alves apresentou obras fotográficas que integram dois projetos autorais: “Riversick” e “Quando As Águas”.

Com mais de 20 anos de carreira, obras de Raphael integram a coleção de fotografia da BNF, que possui o maior arquivo público de trabalhos de fotógrafos brasileiros do mundo com mais de 1.400 fotos.

Raphael trabalha no projeto Quando As Águas há 17 anos e, segundo ele, os registros retratam “a relação que nós seres humanos da região, Manaus, arredores, no estado do Amazonas tem com o ciclo das águas. É um trabalho mais documental e tradicional”. O Riversick é “um trabalho mais subjetivo. Sobre a minha relação com Manaus. Aquela Manaus que mora na gente e são inúmeras Manaus”. 

O Riversick foi lançado em livro em 2024, premiado no 4º Festival Photo Things, e pode ser adquirido com o autor pelo @photoraphaelalves no Instagram. As obras fotográficas vão além do fotojornalismo, é a mescla da arte com a expressão.
Rodrigo Braga, Raphael Alves, Ísis Medeiros, José Diniz e a curadora Ioana Mello (Foto: Divulgação)

 

“É um medo que causa fascinação. Eu tenho uma curiosidade muito grande sobre a relação das águas. É um elemento que me causa fascínio. É uma relação pessoal que eu tenho com a água. No ‘Quando As Águas’ trabalho de maneira mais documental. Foi algo que falei durante a conferência: o que agora para o mundo é uma crise faltando água na Amazônia, e atingiu o noticiário, para nós é uma realidade há muito tempo”, disse. 

“Esses fenômenos que são naturais de vazante e enchente estão se tornando cada vez mais extremos e os extremos estão se tornando cada vez mais frequentes. Esses trabalhos são sobre isso”, acrescentou Alves.

Olhar de um amazônida

Alves mostrou durante a conferência uma Amazônia formada por pessoas, do ponto de vista de um amazônida. “Qual foi a minha mensagem na França: eu quis falar de uma Amazônia interior. Não de uma Amazônia vista no noticiário, que é vista de longe, de cima com aquele manto verde, mas, uma Amazônia que tem as pessoas. E se falarmos sobre questões climáticas, por ser Amazônia um bioma que equilibra essa questão do clima, por outro lado, as nossas questões antropológicas e sociais não chegam ao noticiário. Como vamos manter uma floresta em pé e as águas limpas se não olhar para o ser humano? Olha para a Amazônia de longe, mas não enxerga o ser humano”, disse.
Raphael Alves mostrou, durante a conferência, uma Amazônia formada por pessoas, do ponto de vista de um amazônida (Foto: Raphael Alves)

 

Dimensão humana na fotografia

Raphael Alves reconhece que o trabalho dele é voltado para o ser humano, para além da técnica, são imagens que estão dentro do profissional e postas no mundo. “Essa relação que temos com as pessoas, é também uma relação que temos conosco. Saber que pessoas que fotografei da nossa região, saber que elas, finalmente, foram vistas ou de certas formas ouvidas, isso para mim é o maior dos reconhecimentos. Saber que um trabalho feito por alguém da terra, sobre pessoas da terra, incluindo a mim, foi visto e reconhecido por uma instituição que preza pelas questões de arquivo, história, acervo que para mim são muito caras e deveria ser para cada fotógrafo e fotógrafa”, ponderou.

Alves acredita que a fotografia possui contribuição histórica. “Um povo sem memória não é nada. Eu acredito que a fotografia tem uma contribuição muito grande para a escrita da história. Ter o meu trabalho em uma coleção dessas é maravilhoso, me deixa lisonjeado, mas, por outro lado, me faz pensar, porque os museus locais da Amazônia, ou de outras regiões do Brasil, também não dão valor para os autores brasileiros. Se o Museu da Imagem e do Som do Amazonas fizesse como a BNF, que todo ano reúne um corpo bom de curadores, descobrindo material no Brasil e expondo? Imagina a riqueza que a teríamos para as próximas gerações”, finalizou.

Oportunidade

Participar da conferência fez Raphael notar abertura de espaços, assim como a oportunidade de contar próprias histórias. “Eu fiquei surpreso de ver que dão valor a questões do ponto de vista artístico e subjetivo. Eu não esperava. O mundo já mudou muito. Eu vi abrirem novos espaços de diálogos e formas de ver e reconhecer que na América Latina, no Brasil, existem maneiras diversas que são válidas. É, realmente, um momento de retomar as nossas narrativas, de contar as nossas próprias histórias. Eu enxerguei (na conferência) espaços para isso. Acolheram muito bem a diversidade de olhares”, disse Alves.

IMAGENS ADQUIRIDAS PELA BIBLIOTECA NACIONAL DA FRANÇA:

 

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