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Governo tenta conter temporada de incêndios

Presidente do Ipaam, Gustavo Feitoza, informou que governo está intensificando o monitoramento e combate às queimadas

Publicado em 22/07/2025 às 09h45
Governo tenta conter temporada de incêndios
Foto: Divulgação

Com o início da temporada de queimadas que, nos últimos anos, têm provocado uma fumaceira sobre Manaus, os órgãos governamentais estão intensificando o combate aos incêndios florestais. O presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Gustavo Feitoza, informou que o estado já está monitorando, realizando ações nos municípios e orientando os produtores rurais sobre essa prática criminosa.

No ano passado, o Amazonas registrou 25.499 focos de incêndio, representando um aumento de 30% em relação ao ano anterior, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“Hoje o Ipaam já faz esse trabalho diário de monitorar as queimadas através do nosso setor de monitoramento e controle. Nós também estamos fazendo uma frente de educação ambiental nos municípios com a questão de palestra, conscientização, orientação sobre a questão das queimadas no estado do Amazonas, levando para as escolas, associações, organizações e fazendo esse suporte e operações nos municípios”, disse o presidente.

Feitoza destacou que as operações de combate aos incêndios florestais já estão funcionando e também o controle de outros crimes ambientais.

“Nós também estamos com a Operação Tamoiotatá (combate às queimadas), já está em campo e vai ocorrer até dezembro, onde percorremos vários municípios do estado do Amazonas. Também não só na questão das queimadas em si, mas no combate ao desmatamento, comercialização de carnes exóticas de animais que não podem ser comercializadas. Hoje nós também estamos intensificando o nosso trabalho na zona metropolitana do estado do Amazonas, onde saiu uma matéria por sinal de ontem o resultado, uma empresa foi multada em 100 mil reais”.

A operação metropolitana que resultou em multa de R$ 100,5 mil foi feita com o apoio do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAmb) da Polícia Militar, percorreu cerca de 1.500 quilômetros em seis municípios: Novo Airão, Manacapuru, Iranduba, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva e Itacoatiara.

 

SUL DO AMAZONAS

 

Gustavo Feitoza afirmou que, apesar das operações e de ter maior atenção, o Sul do Amazonas continua sendo uma grande preocupação de queimadas no estado. Ele enfatizou uma nova medida utilizada pelo órgão, a legalização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para atuar na terra.

“Hoje nós temos fiscalização. A gente não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Então a ferramenta que nós lançamos que foi o embargo emergencial, através de imagens de satélite, no combate aí de fazer um embargo daquela área, gerar uma multa, ao proprietário, ao agricultor, produtor, fazendeiro, para que ele não consiga mais legalizar aquela área desde que ele faça o Cadastro Ambiental Rural, a legalização do licenciamento ambiental. Então isso é uma forma que a gente consiga acompanhar e monitorar todo o estado do Amazonas”, explicou.

Ele disse que nesses casos, o governo do Amazonas está mobilizando suas secretarias para que o principal gargalo da região sul do estado, que são as questões fundiárias, seja monitorado e regularizado pelo CAR.

“Mais uma vez nós temos uma grande dificuldade na questão fundiária, onde o Estado do Amazonas está fazendo uma força-tarefa através das secretarias da Sect, do IDAM, da Sepror, do IPAAM, até da SEMA também e da SEDECT, para a gente também buscar soluções ali na questão não só do sul do Amazonas, como os outros municípios”.

 

Ipaam busca parceria com o MP

 

O presidente do Ipaam enfatizou que o órgão está buscando formas de unir forças com outras instituições, como o Ministério Público do Amazonas (MP-AM), para o fortalecimento dessas medidas.

“Eu estive no Ministério Público Estadual, onde firmamos uma parceria para trabalhar em conjunto nas ações do MP-AM, com a Polícia Ambiental e o Corpo de Bombeiro. Então hoje nós estamos fazendo uma força-tarefa aí na questão de monitoramento, controle e orientação. Também monitorando o efeito das queimadas e da supressão, da queima, de todo o crime que é feito contra o meio ambiente”, ressaltou.

Gustavo Feitoza também informou que a expectativa para esse ano é de efeitos menos danosos, por ter normalizado a cheia dos rios, que antes estava em uma estiagem contínua.

“Eu acredito que com a normalização do rio possa melhorar, porque nos anos anteriores nós ampliamos nosso controle, o Governo do Amazonas deixou o comitê, que antes era temporário, de forma permanente no combate à estiagem. Então hoje ele é permanente, tem reunião sempre para debater e colocar as causas e as situações que a gente precisa estar à frente disso. Então como deu uma normalizada, a gente espera um controle maior”.

 

Manicoré faz rondas diárias

 

De acordo com os dados do Inpe, o município de Manicoré (a 347 quilômetros de Manaus) é o de maior registro de focos de incêndio nos primeiros meses deste ano. Segundo consulta realizada no painel do clima do Amazonas (ferramenta de monitoramento, combate e prevenção a fenômenos climáticos), em 14 de julho, foram identificados 222 focos de calor no Estado do Amazonas somente em 2025, dos quais 49 no município de Manicoré, isto é quase 25% do total.

A secretária de meio ambiente do município, Marta Regina Pereira, informou que para reverter o cenário, a secretaria está realizando rondas diárias, medidas educativas e punitivas.

“O município de Manicoré tem se preparado para esse período (verão amazônico) com rondas diárias. Nós estamos fazendo rondas em toda a área urbana e as vicinais. Das cinco da tarde até aproximadamente meia-noite. Também orientamos as pessoas e realizamos ações apagando os pequenos focos de incêndio de quintais. Então, praticamente, não temos fumaça na cidade esse ano”, afirmou.

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