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‘Inadmissível’, diz Plínio sobre recursos do Fundeb para escolas religiosas

Senador Plínio Valério (PSDB) adiantou que votará contra as alterações feitas no projeto de lei 4.372, que incluiu escolas confessionais aptas para receber recursos de Fundo da Educação

Publicado em 14/12/2020 às 21h09 · Atualizado em 09/03/2022 às 11h51
‘Inadmissível’, diz Plínio sobre recursos do Fundeb para escolas religiosas
Foto: Divulgação

O senador Plínio Valério (PSDB) adiantou que votará contra as alterações feitas no projeto de lei 4.372 que regulamenta o novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Na última quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do Fundeb e o Senado precisa aprovar o novo marco ainda neste ano para que seja efetivado e os recursos do fundo possam ser utilizados em 2021.

A previsão é de que o texto do novo Fundeb, principal fonte de financiamento da educação básica no país, seja votado ainda nesta semana. O projeto regulamenta a Emenda Constitucional 108/20, promulgada pelo Congresso em agosto, que tornou o fundo permanente e aumentou progressivamente a participação da União até 2026. Segundo o relator, senador Izalci Lucas (PSDB-DF), o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pautará o projeto para a sessão desta terça-feira.

Em texto distribuído à imprensa, Plínio manifestou que não concorda com as alterações que garantem recursos do fundo para escolas privadas sem fins lucrativos por matrículas nos ensinos fundamental e médio, e não apenas para a educação infantil, e parte do Fundeb para pagamento de servidores terceirizados e de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos .

“Inadmissível que se use dinheiro do Fundeb para beneficiar instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos. O que tem de entidade nesse sentido. O Fundeb não é para isso. Muito menos para escolas privadas sem fins lucrativos. A ideia é aprovarmos o texto da Câmara sem essas alterações para priorizar o fortalecimento da educação básica nos municípios mais pobres, afastando o risco de promover a contratação de mais terceirizados em prejuízo dos profissionais de carreira na Educação”, explicou o senador.

O parlamentar disse, nas redes sociais, que formulou emenda para corrigir desvios na distribuição dos recursos do novo Fundeb. “Emenda visa manter prioridade o pagamento de professores do ensino básico público em municípios mais pobres, excluindo terceirizados e confessionais, por exemplo”, escreveu no Twitter.

Modificações

Na votação de destaques, foi incluído e aprovado, por 258 votos a 180, o repasse de parte de verbas do fundo, 10%, para instituições filantrópicas comunitárias, confessionais e para educação profissionalizante, inclusive promovida por entidades do Sistema S (Senai, Sesi e Senac), além da possibilidade de usar o recurso pagamento da remuneração de profissionais de educação terceirizados.

Entre as inserções está a destinação de recursos para escolas mantidas por igrejas e entidades filantrópicas, por 311 votos favoráveis, 131 contrários e uma abstenção. Votaram pela inclusão os deputados federais do Amazonas Alberto Neto e Silas Câmara, ambos do Republicanos, Delegado Pablo (PSL), Marcelo Ramos (PL) e Sidney Leite (PSD. José Ricardo (PT) e Bosco Saraiva (SD) votaram contra a emenda e Átila Lins (PP) estava ausente na votação. Se aprovadas, as novas regras passam a valer a partir de 2021. Se o Senado alterar o texto, ele retorna para Câmara para uma nova análise antes de ser enviado à promulgação do presidente Jair Bolsonaro.

As mudanças no novo Fundeb geraram críticas de especialistas e de entidades da área de educação. O Fundeb foi criado em 2007, substituindo o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), para reduzir as diferenças entre estados e municípios mais ricos e mais pobres.

O fundo, composto de 20% da receita de oito impostos estaduais e municipais e valores transferidos de impostos federais, atende todas as etapas anteriores ao ensino superior e representa 63% do investimento público em educação básica. Os recursos do fundo são destinados às redes estaduais e municipais de educação, conforme o número de alunos matriculados na educação básica.

SAIBA MAIS

Em nota técnica divulgada na segunda-feira, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação e a Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação informaram que a educação pública perderá R$ 15,9 bilhões caso o texto da Câmara seja aprovado no Senado. A redução decorre, segundo a nota, da inclusão da possibilidade de destinação de 10% das verbas do fundo para instituições filantrópicas comunitárias, confessionais e para educação profissionalizante, inclusive, promovida por entidades do Sistema S.

DESTAQUE

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) é autor de quatro emendas ao projeto de lei n° 4372, de 2020. Uma das emendas propõe a exclusão do cômputo das matrículas em instituições privadas influenciarem na distribuição dos recursos previstos no caput do art. 212-A da Constituição Federal, segundo site do Senado Federal. “Tal destinação não está em linha com as diretrizes constitucionais que tratam do financiamento da educação pública”, diz trecho da justificativa.

A reportagem entrou em contato com os senadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD), mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

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