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Marina Silva deixa comissão após série de discussões e novo atrito com Plínio Valério

Ministra foi ao Senado falar da exploração de petróleo da Margem Equatorial e teve embates com Omar Aziz, Marcos Rogério e Plínio Valério

Publicado em 27/05/2025 às 14h20 · Atualizado em 27/05/2025 às 16h59
Marina Silva deixa comissão após série de discussões e novo atrito com Plínio Valério
Foto: Reprodução TV SENADO

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), deixou uma audiência pública na Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado após ser alvo de um comentário do senador Plínio Valério (PSDB), o qual afirmou que “a mulher merece respeito, a ministra não”. A ministra relembrou o episódio em que o tucano disse não saber como não havia a enforcado durante o andamento da CPI das ONGs e deixou a casa por recomendação do senador Rogério Carvalho (PT-SE).

Marina Silva exigiu que Plínio Valério pedisse desculpas pela fala, senão se retiraria. O senador tucano se recusou e a ministra do Meio Ambiente deixou o local. Marcos Rogério afirmou que, na sessão seguinte, seria posta em pauta a convocação da chefe do MMA para a comissão.

“Se vocês me convidaram como ministra, tem que me respeitar. Eu me retiro, porque eu não fui convidada por ser mulher. O senhor disse que sentiu vontade de me enforcar”, disse Marina antes de sair, em meio a falas de Plínio Valério questionando se ela estava com medo dele por tê-lo chamado de psicopata em uma entrevista.

Ao longo da reunião, Marina Silva teve uma série de embates com senadores, incluindo o amazonense Omar Aziz (PSD) e o presidente da comissão, Marcos Rogério (PL-RO), especialmente por questões ligadas à pavimentação da rodovia BR-319, que liga Porto Velho a Manaus, e à aprovação da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que afrouxa uma série de regras da legislação ambiental vigente.

Omar Aziz voltou a defender o asfaltamento do trecho do meio da BR-319 e relembrou que foi um compromisso firmado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que a obra será destravada devido às mudanças feitas na Lei do Licenciamento ambiental. O senador também fez críticas à defesa da sustentabilidade por Marina, afirmando que não conhece nenhum programa do tipo que tenha gerado riqueza.

“A senhora conhece a nossa região. Agora, eu não conheço nenhum programa sustentável, de que a senhora fala tanto, que deu prosperidade a uma família, que a deixou comprar um carro novo, que a deu uma casa de alvenaria, que tenha ar-condicionado, que tenha água potável. Eu vejo pessoas se esforçando muito para ter só o que comer, mas não para dar prosperidade. E nós queremos é prosperidade para o nosso povo. Nós queremos que o povo ganhe dinheiro”, disse.

Marina Silva respondeu que esteve fora do Executivo por 15 anos e a obra da BR-319 não foi feita, mesmo quando o amazonense Alfredo Nascimento (PL) esteve à frente do Ministério dos Transportes, e que a usam como bode expiatório para o não andamento da rodovia. A ministra afirmou que só com o anúncio do asfaltamento na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o desmatamento aumentou 119% e por isso há necessidade de governança no local.

“Desde o processo em que vem se discutindo anunciar-se a fazer a estrada, quando se fala da estrada, a primeira coisa que tem é uma corrida de grilagem, por isso que o que se propõe desde lá é a avaliação ambiental estratégica. Qual é o problema de fazer? Qual é o problema de ter governança? Se é para passar apenas os carros, não vai impactar nem uma margem ou outra, qual é o problema de fazer? Nós estamos propondo desde sempre. Por que não faz? Agora, o Ministro Renan está trabalhando para fazer, porque é isso que dá segurança aos empreendimentos. Essa discussão está posta desde sempre.”, disse.

O senador e a ministra iniciaram um novo embate e o Omar afirmou que mais de 15 mil pessoas morreram por falta de oxigênio durante a pandemia de Covid-19 no Amazonas pela falta de pavimentação na BR-319, embora esse número seja o total das mortes no estado. Durante a crise do oxigênio, morreram pouco mais de 60 pessoas em dois dias.

Outro embate da ministra foi com o senador Marcos Rogério, presidente da Comissão de Infraestrutura, que disse à Marian que ela deveria se pôr no lugar dela. A discussão entre os dois ocorreu após o presidente cortar a palavra da ministra diversas vezes, até o momento em quela disse que o senador gostaria que ela “fosse uma mulher submissa, e eu não sou”. Marcos Rogério rebateu acusações de sexismo e disse que estava se referindo ao “lugar” dela como ministra.

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