Medo ou vergonha em cuidar da saúde íntima pode levar mulheres à depressão
Dores na relação sexual, incontinência urinária ou muitas idas ao banheiro podem comprometer significativamente a qualidade de vida de muitas mulheres
Por subestimar sintomas normalmente considerados simples, muitas mulheres acabam negligenciando possíveis problemas com sua saúde íntima e, por medo ou vergonha, acabam prejudicando a própria qualidade de vida. Incontinência urinária ou várias idas ao banheiro durante o dia e dores durante a relação sexual não devem ser ignoradas e precisam acender o alerta de que algum problema sério pode existir.
Dados recentes divulgados pelo Ministério da Saúde (MS) revelam que os tratamentos cirúrgicos para a incontinência urinária caíram 60% em 2020, em relação ao ano anterior. O problema costuma afetar 45% das mulheres acima de 40 anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
Segundo a fisioterapeuta pélvica e uroginecológica formada pela Inspirar São Paulo, Ivana Pinheiro, ainda existem muitos tabus na hora que as mulheres decidem buscar ajuda. “O que mais vejo são mulheres assumindo que têm algum desses problemas, porém, não procuram ajuda. Muitas vezes por acharem normal, que é um processo natural que as mulheres passam ao longo da vida, ou por pura vergonha de procurar tratamento”, comenta.
Ainda de acordo com Ivana, a própria educação recebida desestimula as mulheres a buscar ajuda. “Talvez a falta de informação, o medo ou o fato de ter tido uma educação repressora, onde foi aprendido que a sua região íntima é algo proibido, também possam contribuir para o silêncio”, complementa.
Tabus vindos da criação podem ser impedimentos para que mulheres busquem cuidar da saúde íntima, diz a fisioterapeuta pélvica Ivana Pinheiro. Foto: Gilson Mello
Tratamentos
Diante dos sintomas, os tratamentos podem ser feitos de forma não invasiva para melhorar significativamente a vida dessas pacientes. A consciência corporal está diretamente ligada aos bons resultados do tratamento e, para isso, é fundamental o acompanhamento de um fisioterapeuta pélvico.
Dentre os tratamentos estão massagens, mobilização, liberação miofascial, cinesioterapia, eletroestimulação, Biofeedback, dispositivos mecânicos, diários miccionais, terapia comportamental, orientações posturais, dentre outros.
“Lembrando que o objetivo do tratamento vai depender da particularidade de cada caso, por isso vale lembrar que a fisioterapia pélvica não visa apenas o fortalecimento do assoalho pélvico, mas sim de promover a sua funcionalidade. Ou seja, uma musculatura que exerça suas funções de contração e relaxamento de maneira correta e sinérgica, devolvendo a saúde perineal”, explicou a especialista.
E os tratamentos não influenciam apenas a saúde física das mulheres, mas também sua saúde mental e emocional, pois muitas delas acabam tendo a rotina totalmente alterada devido os sintomas. Dentre os hábitos adquiridos por causa dos sintomas estão o uso diário de absorventes ou protetores de calcinha, a diminuição do consumo de água, o abandono da atividade física e até mesmo o abandono da vida social.
“Assim como uma mulher com dores nas relações sexuais, que busca uma relação afetiva e sexual satisfatória para a manutenção do seu bem-estar emocional, e acaba evitando ter relação sexual para não agravar sua frustração, isso faz com que elas se relacionem de maneira negativa com seu próprio corpo e nas relações interpessoais, podendo levar a quadros de tristeza e depressão”, comentou Ivana.
Ivana costuma abordar o tema em seu perfil de instagram @pelvesemtabus.
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