Menos de 5% da Amazônia Legal alcançou meta de saúde e qualidade de vida da ONU
Os dados foram compilados e divulgados nesta terça-feira (20), pelo Atlas ODS Amazônia, da Universidade Federal do Amazonas
Apenas 4% dos 772 municípios da Amazônia Legal alcançaram as metas de saúde e qualidade de vida da Organização das Nações Unidas (ONU), na agenda 2030. Os dados foram compilados e divulgados nesta terça-feira (20), pelo Atlas ODS Amazônia, da Universidade Federal do Amazonas.
O boletim, com a informação comparativa entre todos as quase 800 delimitações municipais que representam mais de 50% do território nacional, constatou que apenas 28 delas atingiram níveis considerados mais próximos de alcançar as metas estabelecidas pela ONU para daqui a 5 anos. O patamar reúne 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que vão desde erradicação da pobreza até ações contra a mudança do clima.
A divisão fica da seguinte forma:
São 14 no Tocantins:
- Aguiarnopolis
- Cariri do Tocantins
- Fátima
- Ipueiras
- Jaú do Tocantins
- Juarina
- Mateiros
- Palmeiras do Tocantins
- Novo Alegre
- Piraque
- Presidente Kennedy
- Sandolândia
- Santa Maria do Tocantins
- Santa Rita do Tocantins
São 3 no Maranhão:
- Altamira do Maranhão
- Gonçalves Dias
- São Francisco do Brejão
São 9 no Mato Grosso:
- Araguainha
- Denise
- Indiavai
- Novo Santo Antônio
- Porto Estrela
- Santo Afonso
- São Pedro da Cipa
- Rondolândia
- Serra Nova Dourada
Há 1 Rondônia
- Novo Horizonte do Oeste
Há 1 no Pará
- Brejo Grande do Araguaia
Dentre as cidades com os índices críticos, consequentemente mais distantes do acordo da agenda, então algumas no extremo norte do Amazonas: na microrregião do Alto rio Negro aparecem Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira. Já no Alto Solimões, há São Paulo de Olivença. Essas cidades atingiram menos de 60% das projeções dentro de uma escala de 0 a 100, criada para calcular a proximidade com as metas da ONU.
Saúde e bem-estar
O coordenador técnico do Atlas e doutor em comunicação, Danilo Egle, explicou que o recorte foi baseado na reunião de quatro temas: mortes de mães e bebês recém-nascidos, partos realizados em hospitais ou postos de saúde, e mortes no trânsito. A escolha não foi por acaso, todos esses tópicos possuem um banco de dados mais atualizado, além de estarem dentro do contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Com base nisso eles chegaram ao índice iODS, que contextualiza os dados e a condição dos municípios. As mortes no trânsito constituem o pior indicador entre os quatro, com maior frequência de cidades abaixo do esperado. Egle também explicou que o grande objetivo de expor esse cenário é conseguir chegar ao “núcleo do problema”; para isso, ainda existe um longo caminho de coleta de mais informações para que a pesquisa possa ser uma ponde entre as estatísticas, a realidade dessas comunidades e políticas públicas efetivas que garantam qualidade de vida.
“É muita informação que tem indicadores para a gente poder medir se os municípios estão melhor ou estão pior. A gente tá usando para produzir estudos e produzir análises; a gente tá só elucidando informação, o trabalho do Atlas é isso; democratizar”, defendeu.
Uma só Amazônia Legal; várias realidades
O estudo também identificou os índices do Amazonas usando a mesma base de análises do mapa da região da Amazônia Legal. Neste levantamento, o ranking de municípios com melhor colocação no estado é encabeçado pela capital; Manaus tem 66,39 e o top 5 vem com a sequência de:
- Silves, 59,96
- Carauari 57,77
- Presidente Figueiredo 57,74
- São Sebastião do Uatumã 56,48
Do outro lado, São Gabriel da Cachoeira tem 41,49 de pontuação, na penúltima colocação, enquanto Coari ocupa o último dos 62 lugares, com 41,14. De acordo com o coordenador técnico, isso é apenas uma demonstração pequena diante de toda a complexidade do contexto geral. Significa dizer que cada localidade possui características tão precisas e individuais que as políticas públicas precisam entender essa individualidade.
“Muitos municípios até tem estrutura, mas as vezes você não tem a fiscalização, a auditoria, então existe uma negligência geral com os mecanismos de avaliação”, disse.
A opinião é reforçada por entidades convidadas a debater e entender os dados analisados, é o caso da Fiocruz Amazônia. A presidente da instituição, Stefanie Lopes, que esteve presente durante o lançamento do boletim na Universidade Federal do Amazonas. Ela destacou que o comprometimento precisa partir de todas as e feras do poder público, uma vez que os esforços direcionados e unidos dentro de um só propósito podem ajudar na corrida para que se atinjam as metas.
“Amazônia e sua complexidade exige uma análise bastante extensa dos territórios; a política, ela precisa ser pensada a nível do seu território, a gente pode pressionar com dados acadêmicos que isso seja diferente”, disse.