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No Sul, Lula tenta conquistar bolsonaristas

Sul é a única região do país em que Bolsonaro ainda aparece à frente de Lula

Publicado em 18/09/2022 às 09h44
No Sul, Lula tenta conquistar bolsonaristas
Foto: Heuler Andrey/Getty Images

Lula (PT), cumpriu neste sábado (17/09) a segunda etapa do seu giro pelos estados do Sul do Brasil, única região em que o presidente Jair Bolsonaro ainda lidera claramente as pesquisas.

Em Curitiba, a antiga “capital da Lava Jato”, Lula reuniu milhares na Boca Maldita, tradicional área de comícios políticos no centro da capital paranaense, que sediou o primeiro grande ato nacional da campanha das “Diretas Já”, em 1984. 

Em discurso com trechos feitos sob medida para o público curitibano e paranaense, Lula fez elogios à cidade e explicou a estratégia da sua viagem ao Paraná. “Dizem que aquele Estado é bolsonarista, pois é lá que eu quero ir”, afirmou Lula.

“Tem gente que pensa que eu fiquei com ódio de Curitiba, porque fiquei preso aqui. A cadeia me fez aprender a amar Curitiba. Eu tenho gratidão por Curitiba, tenho respeito por Curitiba”, disse o ex-presidente.

“Aqui eu encontrei a Janja, meu amor. Eu tenho gratidão e respeito por homens e mulheres que não mediram esforços de solidariedade para estarem comigo nos 580 dias em que estive aqui. Então, obrigado Curitiba”, completou Lula, mencionando sua esposa, a socióloga Rosângela Silva, a “Janja”, que é natural do Paraná.

Esta é a segunda vez que Lula retorna a Curitiba após deixar a carceragem da Polícia Federal na cidade, onde permaneceu preso entre 2018 e 2019. O petista também dirigiu várias críticas a Bolsonaro, e explorou em seu discurso um calcanhar de Aquiles do presidente: a alta rejeição que o ex-capitão enfrenta entre o eleitorado feminino, que ganhou ainda mais evidência após várias declarações machistas do atual ocupante do Planalto.

“Este país precisa de um presidente civilizado. Um presidente que saiba que mulher não quer ser mais objeto de cama e mesa, mulher quer ser o que ela quiser”, disse Lula.

O candidato  mencionou ainda as Forças Armadas, que nos últimos meses têm sido instrumentalizadas por Bolsonaro para semear paranoia sobre a segurança do processo eleitoral.

“Não queremos as Forças Armadas se metendo nas eleições do nosso país e nem querendo controlar urna”, disse Lula. “Nós já lidamos com as Forças Armadas e as tratamos com muito respeito. É preciso que alguns de lá tratem a sociedade com respeito, porque nós sabemos cuidar de nós e não precisamos ser tutelados”, completou.

Além de Lula, participaram do comício a ex-presidente Dilma Rousseff, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e uma série de políticos locais do PT, entre eles o ex-governador Roberto Requião e a presidente nacional do partido, a deputada Gleisi Hoffmann. 

 

Críticas a Moro

 

Natural de Curitiba, Hoffmann usou seu discurso para direcionar críticas ao ex-juiz Sergio Moro, que em 2018 determinou a prisão de Lula, tirando o petista do pleito presidencial daquele ano. Posteriormente, Moro se tornou ministro do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro, que passou para a liderança na eleição passada justamente por causa da saída de Lula no páreo. Atualmente, Moro concorre a uma vaga no Senado pelo Paraná e continua a cortejar o eleitorado bolsonarista.

“Esse é seu retorno a Curitiba, presidente Lula: nos braços do povo. É a redenção”, disse Gleisi Hoffmann. “Curitiba é a capital do Paraná, um estado que nos orgulha. Curitiba não é uma ‘república’. Nunca foi. E essa capital e esse estado que vão dar a maior derrota para Sergio Moro. Nós temos um compromisso aqui: Moro não será senador do Paraná.”

A deputada também mencionou os revezes que Moro teve com a Justiça Eleitoral no primeiro semestre, quando tentou se candidatar ao Senado pelo estado de São Paulo e acabou barrado por irregularidades na transferência do seu domicílio eleitoral. Sem opções, acabou se candidato pelo Paraná. Em pesquisa divulgada no fim de agosto, o ex-juiz apareceu em desvantagem na disputa pela vaga com o veterano Alvaro Dias (Podemos), que concorre à reeleição.

“Moro quis tentar ser político. E sabe onde ele foi tentar se candidatar? São Paulo. Porque ele achou que o Paraná não era suficiente para ele. Aliás, a mulher dele ficou lá, como candidata a deputada”, disse Hoffmann.

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