Nova geração de consumidores prefere iPhone e iPod do que automóveis
De acordo com o vice-presidente sênior de Marketing e Vendas da Volvo, Douglas C. Speck, a geração que está chegando agora, que será consumidora de automóveis pelos próximos 20 anos, é peculiar
A chamada “geração digital” tornou-se um “problema” para as montadoras do mundo todo. Entre as que estiveram no Salão de Paris, que terminou no domingo, 14, há o consenso velado de que os smartphones tomaram do carro a posição de “símbolo da vida adulta”, diferentemente do que ocorria há alguns anos, os jovens estão dispostos a gastar mais em aparelhos de última geração do que em automóveis.
No evento francês, várias fabricantes deram destaque a recursos como muitas entradas auxiliares no sistema de som, comandos por voz e recepção de rádio por internet. “Antes, falávamos mais de dirigibilidade, motores e coisas assim”, afirma o vice-presidente de Qualidade na Ford europeia, Gunnar Herrmann. “Isso está perdendo lugar para a conectividade”.
De acordo com o vice-presidente sênior de Marketing e Vendas da Volvo, Douglas C. Speck, a geração que está chegando agora, que será consumidora de automóveis pelos próximos 20 anos, é peculiar. “Eles gostam de iPhone e iPod mais do que de automóveis”, concorda o executivo chefe da Land Rover, Ralf Speth. “Apesar disso, todo mundo ainda precisa ir de um lugar para o outro”, arremata.
Também é consenso entre os líderes das montadoras que o carro deve ser diferente do atual. Em primeiro lugar, precisa ser mais estiloso. E, embora o desempenho continue sendo importante, não é tanto quanto a tecnologia principalmente se o tornar “ecologicamente correto”.
Correndo atrás
A BMW participa de um programa de desenvolvimento de plataforma livre para troca de dados entre vários equipamentos, como celulares, TVs e sistemas de som do carro. Tudo por meio de navegação “em nuvem”.
A mudança no mercado não reflete apenas a competição com os smartphones e outras tecnologias, mas tem a ver com o aumento no número de pessoas em todo o mundo morando em áreas urbanas. Carros são cada vez menos necessários. Em muitos casos, tornam-se um fardo em lugares nos quais há boa infra-estrutura de transporte público e para o uso de bicicletas.
Na Europa, o jovem que quer um carro acaba optando por um pequenino, como o Smart, que é mais fácil de estacionar, ou um elétrico, como o Twizy. Meio scooter, o Renault de quatro rodas dois lugares.