O grande medo dos Millennials e da Geração Z é o desemprego
Após mais de um ano em pandemia, a taxa de desemprego é ainda maior e gera insegurança às gerações que sentem na pele os prejuízos da crise econômica e sanitária provocada pelo Coronavírus.
“Assim que eu me graduei, parecia existir um novo mundo com muitas possibilidades, porém a realidade chegou e as minhas expectativas foram esmagadas pelo mercado que fica cada vez mais irrealista.” O relato do recém-graduado em psicologia, Lucas Freitas, mostra a dificuldade que o jovem encontra hoje para se destacar e conseguir uma vaga no mercado de trabalho. A última edição do estudo global “Millenials e Geração Z”, da Deloitte, mostrou que os brasileiros nessas faixas etárias estão ansiosos, estressados e preocupados com o desemprego, assim como com os cuidados de saúde e prevenção de doenças e com sua segurança pessoal.
Mais de um ano após o início da pandemia do coronavírus, os brasileiros nascidos entre 1980 e 1995, chamados de millenials, e os que já vieram ao mundo já na era digital – entre 1995 e 2010 – temem o seu futuro financeiro e no trabalho. O desemprego é considerado o maior desafio para os brasileiros mais jovens, seguido de cuidados de saúde e prevenção de doenças e crime ou segurança pessoal, de acordo com a edição de 2021 da pesquisa. Os millenials brasileiros têm mais medo de ficar desempregados (esse é o maior medo para 38% dos entrevistados) do que a geração Z (31%).
Um dos grandes motivos para a insegurança e falta de perspectiva, além da pandemia e a crise econômica alavancada por ela, é também a falta de oportunidade que empresas privadas cedem aos iniciantes. “Uma das coisas mais frustrantes é o fato de que as empresas dão preferência a quem já tem experiência comprovada em carteira. Os recém-graduados anseiam por uma oportunidade que talvez só chegue através de contatos, em vez de recrutamentos externos”, relata Freitas.
Investimento digital
A tecnologia foi alavancada nesses últimos anos – isso já é claro para qualquer pessoa que vive hoje – mas além da tecnologia em si, as redes sociais ganharam força como fonte de renda e trabalho. No Brasil, as redes sociais já somam mais de 140 milhões de usuários, o que representa aumento de 11 milhões (+8,2%) de usuários entre abril de 2019 e janeiro de 2020. Os dados são da pesquisa We Are Social 2020, da Hootsuite, realizada em abril de 2020. O resultado ainda revela que os brasileiros passam, em média, 3 horas e meia por dia conectados nas redes.
Ainda segundo Lucas Freitas, a alta exposição e necessidade de ter um perfil profissional na rede é algo que também desmotiva a quem procura uma vaga. “Em uma tentativa de se destacar, a gente tenta recorrer às redes sociais para alcançar mais pessoas. Corre aí um perigo: a necessidade de agir como um influenciador digital. Nessa correria para divulgar os próprios serviços, fazemos posts atraentes, com vídeos engraçados, realmente como se fosse um ‘blog trabalhista’”, relata.
O LinkedIn, principal ‘currículo on-line’ é um dos principais recursos buscados pelos jovens para se destacar no mercado, mesmo que virtualmente. De uns tempos para cá, o app TikTok – muito conhecido e usado pelos jovens – também deseja fomentar o setor empregatício. O app lançou o “TikTok Resumes”, um programa piloto que liga jovens a grandes empresas, como a Shopify ou a Alo Yoga, que tenham processos de recrutamento a decorrer. Os recrutadores podem publicar as ofertas de emprego no site criado pela rede social e os usuários interessados podem candidatar-se à posição enviando um vídeo no qual deem a conhecer, de forma divertida e criativa, as suas competências e experiências, utilizando o hashtag #TikTokResumes.
Além disso, os utilizadores do TikTok têm utilizado a plataforma como uma ferramenta para partilhar vagas atuais e dar dicas para aplicar em entrevistas de emprego ou na construção do currículo. Para já, 37 empresas, incluindo o próprio TikTok, estão a publicar as suas vagas de emprego no site. Chipotle, Target, WWE, Alo Yoga, Shopify, Contra e Movers+Shakers são apenas algumas delas.
Êxodo
“O que complica muito no Brasil é a questão da desvalorização do profissional. Ultimamente, estamos sofrendo uma crise econômica e a nossa expectativa de vida diminuiu muito. Posso ser um bom profissional aqui e mesmo assim não ter uma qualidade de vida que nem lá fora, em termos de qualidade de vida e de trabalho, acho melhor ir embora”, relata o Adriel Vasques, 21, estudante de computação. A pouca oferta e precarização do trabalho no Brasil também acarretaram um grande problema: a grande mão de obra especializada de jovens brasileiros desejam sair do país.
Assim como quase metade (47%) dessa população, segundo dados do recém-lançado Atlas das Juventudes e de novos estudos da FGV Social, Adriel pensa em deixar o país. Esse resultado se justifica por muitas razões. Entre elas, o Atlas aponta que os jovens foram os que mais perderam renda desde o começo da pandemia do coronavírus. Após o começo da pandemia, o índice de desocupação dos mais jovens brasileiros chegou a 56,3%.
“Além disso, essa possibilidade de trabalho remoto também abriu portas para que deseja trabalhar em uma empresa do exterior. Acredito que para quem tem especialização e boas condições, esse é o caminho. Não vejo futuro no Brasil atual, e em Manaus, ainda é pior”, finaliza Vasques.