PF amplia presença no interior do AM contra o tráfico e crimes ambientais
Duas novas delegacias foram instaladas nos municípios de Humaitá e Tefé, que integram áreas de forte degradação ambiental do estado
O presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Sousa, comemorou a criação de duas novas delegacias da Polícia Federal (PF) nos municípios de Humaitá e Tefé, no sul e no centro do Amazonas respectivamente, destacando que foi uma pauta levada pelos representantes do estado ao presidente Lula (PT). A medida foi oficializada na semana passada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
“Parabenizo o presidente Lula por atender essa demanda levada pela bancada federal e o governador Wilson Lima (União), que têm as informações dos locais críticos e vulneráveis ao crime organizado. O ministro Lewandowski fez o ato de criação desses dois pontos a serem instalados, porém precisamos avançar ainda mais”, disse.
Ex-prefeito de Rio Preto da Eva, o presidente da AAM destacou que a presença da PF deve aumentar a atuação conjunta da instituição com as polícias Militar e Civil do estado. Ele avaliou, no entanto, que é preciso aumentar a rede de delegacias federais no território, tendo em vista o “tamanho continental” do Amazonas.
Segundo a portaria assinada por Lewandowski, as duas novas delegacias representam um avanço estratégico na interiorização das ações da PF e no fortalecimento da presença do Estado brasileiro na Amazônia Legal. No caso de Humaitá, a instituição busca aumentar o enfrentamento ao tráfico de drogas, ao contrabando e aos crimes ambientais no sul amazonense, incluindo a exploração ilegal de madeira, caça de animais silvestres e garimpo ilegal.
Já a delegacia de Tefé ficará situada em uma área estratégica do médio Solimões com foco logístico, social e ambiental. O município está localizado em uma das várias rotas que o tráfico de drogas utiliza para atravessar entorpecentes até Manaus, de onde exporta para o restante do Brasil e para o exterior.
Oriundo das forças de segurança pública, o deputado estadual Comandante Dan (Podemos) avaliou como positiva a iniciativa do governo em inserir ainda mais a PF “em áreas historicamente vulneráveis ao crime organizado e à degradação ambiental”.
“Acredito que a criação das delegacias em Humaitá e Tefé representa um avanço estratégico na interiorização da Polícia Federal, com potencial para fortalecer a investigação e repressão de crimes federais e ambientais, incrementar ações integradas de segurança e fiscalização e reduzir lacunas de cobertura em regiões remotas com desafios crônicos de violência e ilegalidade”, disse.
O parlamentar ressaltou, no entanto, que a eficácia real da ação depende de uma atuação coordenada, reforço de recursos humanos e materiais e políticas complementares “para enfrentar as causas estruturais que sustentam a criminalidade na região”.
Crise de segurança
A estratégia do governo federal vai de encontro a dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em novembro. Segundo a instituição, 40% do território amazonense é ocupado pela ação de facções criminosas, com o Comando Vermelho (CV) sendo o grupo dominante, especialmente na capital Manaus e em municípios fronteiriços como Tabatinga e Benjamin Constant.
Além do tráfico, o grupo diversificou suas atividades e ingressou nos ramos do garimpo ilegal e extração de madeira, ambos crimes alvos da Polícia Federal. Embora em menor escala, também há atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC), que disputa com o CV as rotas do tráfico.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública confirmou que as facções atuam em 344 dos 722 municípios da Amazônia Legal. Para A CRÍTICA, em novembro, o especialista Ailson Carvalho destacou que, ao contrário das outras regiões, o crime organizado se instalou em sua maioria no interior do Amazonas.
“As facções se instalaram primeiro em cidades pequenas e estratégicas, próximas às fronteiras e às rotas fluviais. Tabatinga, São Paulo de Olivença e Benjamin Constant se tornaram bases logísticas para o intercâmbio entre cartéis colombianos e facções locais, aproveitando-se do isolamento e da ausência do Estado”, disse.
Críticas
As novas delegacias surgem após um ano em que a PF intensificou o combate a crimes ambientais no Amazonas. No entanto, a instituição foi alvo de críticas devido aos meios utilizados para combater o garimpo ilegal. Em setembro, a PF desencadeou uma operação em Humaitá e Manicoré que resultou na destruição de 115 dragas utilizadas por garimpo ilegal.
Moradores da região alegaram que os agentes cometeram abusos contra ribeirinhos. O senador Plínio Valério (PSDB) criticou a ação e acusou a PF de destruir flutuantes, “casas com bombas para o extrativismo mineral. São extrativistas, são famílias que praticam aquilo há décadas e isso é cultural, é normal no Amazonas”.
Na época, o deputado estadual Rozenha (PMB) chamou a operação de truculenta, desrespeitosa e desumana e cobrou explicações sobre a ordem judicial que autorizou o uso de explosivos.
“Não quero discutir a ilegalidade do garimpo no Rio Madeira. Eu quero discutir a truculência. Essas pessoas operam um garimpo manual, com limite de seis polegadas. A operação não prendeu sequer um traficante”, afirmou.
Até novembro, mais de 300 dragas utilizadas no garimpo ilegal haviam sido pela PF em operações no Amazonas. A última registrada foi a Operação Hekurawetaris III, realizada entre os dias 22 e 24 de novembro no município de Jutaí.
O presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Sousa, comemorou a criação de duas novas delegacias da Polícia Federal (PF) nos municípios de Humaitá e Tefé, no sul e no centro do Amazonas respectivamente, destacando que foi uma pauta levada pelos representantes do estado ao presidente Lula (PT). A medida foi oficializada na semana passada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
“Parabenizo o presidente Lula por atender essa demanda levada pela bancada federal e o governador Wilson Lima (União), que têm as informações dos locais críticos e vulneráveis ao crime organizado. O ministro Lewandowski fez o ato de criação desses dois pontos a serem instalados, porém precisamos avançar ainda mais”, disse.
Ex-prefeito de Rio Preto da Eva, o presidente da AAM destacou que a presença da PF deve aumentar a atuação conjunta da instituição com as polícias Militar e Civil do estado. Ele avaliou, no entanto, que é preciso aumentar a rede de delegacias federais no território, tendo em vista o “tamanho continental” do Amazonas.
Segundo a portaria assinada por Lewandowski, as duas novas delegacias representam um avanço estratégico na interiorização das ações da PF e no fortalecimento da presença do Estado brasileiro na Amazônia Legal. No caso de Humaitá, a instituição busca aumentar o enfrentamento ao tráfico de drogas, ao contrabando e aos crimes ambientais no sul amazonense, incluindo a exploração ilegal de madeira, caça de animais silvestres e garimpo ilegal.
Já a delegacia de Tefé ficará situada em uma área estratégica do médio Solimões com foco logístico, social e ambiental. O município está localizado em uma das várias rotas que o tráfico de drogas utiliza para atravessar entorpecentes até Manaus, de onde exporta para o restante do Brasil e para o exterior.
Oriundo das forças de segurança pública, o deputado estadual Comandante Dan (Podemos) avaliou como positiva a iniciativa do governo em inserir ainda mais a PF “em áreas historicamente vulneráveis ao crime organizado e à degradação ambiental”.
“Acredito que a criação das delegacias em Humaitá e Tefé representa um avanço estratégico na interiorização da Polícia Federal, com potencial para fortalecer a investigação e repressão de crimes federais e ambientais, incrementar ações integradas de segurança e fiscalização e reduzir lacunas de cobertura em regiões remotas com desafios crônicos de violência e ilegalidade”, disse.
O parlamentar ressaltou, no entanto, que a eficácia real da ação depende de uma atuação coordenada, reforço de recursos humanos e materiais e políticas complementares “para enfrentar as causas estruturais que sustentam a criminalidade na região”.
Crise de segurança
A estratégia do governo federal vai de encontro a dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em novembro. Segundo a instituição, 40% do território amazonense é ocupado pela ação de facções criminosas, com o Comando Vermelho (CV) sendo o grupo dominante, especialmente na capital Manaus e em municípios fronteiriços como Tabatinga e Benjamin Constant.
Além do tráfico, o grupo diversificou suas atividades e ingressou nos ramos do garimpo ilegal e extração de madeira, ambos crimes alvos da Polícia Federal. Embora em menor escala, também há atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC), que disputa com o CV as rotas do tráfico.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública confirmou que as facções atuam em 344 dos 722 municípios da Amazônia Legal. Para A CRÍTICA, em novembro, o especialista Ailson Carvalho destacou que, ao contrário das outras regiões, o crime organizado se instalou em sua maioria no interior do Amazonas.
“As facções se instalaram primeiro em cidades pequenas e estratégicas, próximas às fronteiras e às rotas fluviais. Tabatinga, São Paulo de Olivença e Benjamin Constant se tornaram bases logísticas para o intercâmbio entre cartéis colombianos e facções locais, aproveitando-se do isolamento e da ausência do Estado”, disse.
Críticas
As novas delegacias surgem após um ano em que a PF intensificou o combate a crimes ambientais no Amazonas. No entanto, a instituição foi alvo de críticas devido aos meios utilizados para combater o garimpo ilegal. Em setembro, a PF desencadeou uma operação em Humaitá e Manicoré que resultou na destruição de 115 dragas utilizadas por garimpo ilegal.
Moradores da região alegaram que os agentes cometeram abusos contra ribeirinhos. O senador Plínio Valério (PSDB) criticou a ação e acusou a PF de destruir flutuantes, “casas com bombas para o extrativismo mineral. São extrativistas, são famílias que praticam aquilo há décadas e isso é cultural, é normal no Amazonas”.
Na época, o deputado estadual Rozenha (PMB) chamou a operação de truculenta, desrespeitosa e desumana e cobrou explicações sobre a ordem judicial que autorizou o uso de explosivos.
“Não quero discutir a ilegalidade do garimpo no Rio Madeira. Eu quero discutir a truculência. Essas pessoas operam um garimpo manual, com limite de seis polegadas. A operação não prendeu sequer um traficante”, afirmou.
Até novembro, mais de 300 dragas utilizadas no garimpo ilegal haviam sido pela PF em operações no Amazonas. A última registrada foi a Operação Hekurawetaris III, realizada entre os dias 22 e 24 de novembro no município de Jutaí.
BLOG – Muriel Saragoussi, ativista ambiental
Toda presença do Estado no interior da Amazônia é benéfica. O Brasil precisa estar presente na vida das pessoas da Amazônia, dando a elas mais oportunidades de terem vidas melhores. O que precisa é a PF efetivamente trabalhar de mãos dadas com os outros órgãos que atuam no interior da Amazônia, como a Funai, ICMBio, Ibama, as secretarias de Saúde e Educação que estão no interior para criar oportunidades não só de combate ao crime organizado, mas para que as populações do interior tenham outras opções que não se juntar ao crime. O combate ao garimpo ilegal e ao tráfico de drogas caminham juntos, porque é a mesma rota.