PF vai investigar crimes contra povo Yanomami
Ministro Flávio Dino vê indícios de genocídio, omissão de socorro, peculato e desvio de verba pública na gestão Bolsonaro da saúde indígena
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino pediu investigação sobre a morte de mais de 570 crianças Yanomami à Polícia Federal. Para ele, é inegável os indícios de crimes como genocídio, omissão de socorro, peculato, desvio de verba pública e ambiental, uma vez que os recursos para saúde indígena na Amazônia, não foram devidamente empregados.
A situação ganhou proporção durante visita da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no sábado, ao Território Yanomami (TY), em Roraima. O Conselho Indígena de Roraima (Cir) responsabilizou o ex-presidente Jair Bolsonaro pela desnutrição, doenças e mortes na TY que teriam sido agravadas durante o governo dele devido o avanço do garimpo na região.
Para o conselho indígena, o governo do presidente Bolsonaro está com as “mãos sujas de sangue”. Em uma nota divulgada ontem pela entidade aponta que na gestão do ex-presidente, a Fudação Nacional dos Povos Índigenas (Funai) foi preparada apoiar um alegado genocídio e defende que os gestores da autarquia federal sejam investigados. O Cir alega que a água está poluída e que centenas de litros de combustível são despejados no rio.
Premeditado
“O caos instalado na saúde é o retrato do crime premeditado que o Governo Bolsonaro praticou contra os povos Yanomami”, culpou a associação. A nota ainda dá conta de que o rio Uraricoera, principal fonte de caça e pesca da subsistência indígena, tornou-se um ‘verdadeiro’ cemitério Yanomami.
“Já não sabemos mais quantas crianças foram mortas, quantas mulheres foram vítimas de violência. Porque todos os dias recebemos notícias de que crianças morreram. Por isso requeremos investigação com profundidade: o Governo Bolsonaro praticou crime de genocídio contra os povos indígenas Yanomami”, pediu.
‘Desumano’
No sábado, Lula e uma comitiva de ministros classificou a condição dos indígenas como “desumana” e anunciou algumas medidas para ajudar a população da região. Uma foto de uma idosa Yanomami que apresentava avançado estado de desnutrição gerou comoção e revolta nas redes sociais. No domingo, a organização de saúde Yanomami Urihi informou que a indígena faleceu.
No domingo, Bolsonaro disse que as denúncias são “farsa da esquerda”, além de citar supostas medidas feitas para a população indígena durante o seu governo.
Governo exonerou chefia de 11 Dseis, entre eles Parintins
O governo federal exonerou os responsáveis por comandar as equipes de 11 dos 34 distritos sanitários especiais indígenas (Dseis) do país, incluindo a chefia da pasta em Parintins, Amazonas. As portarias foram assinadas pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa e publicadas no Diário Oficial da União (DOU) ontem.
Para amenizar a crise humanitária no território Yanomani, no fim de semana, a Força Aérea Brasileira (FAB) transportou cerca de 4 toneladas de alimentos para serem distribuídos uma comunidade. Desde sexta-feira, o Ministério da Saúde a declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, na região.
A medida permite ao Poder Executivo adotar, em caráter de urgência, medidas de “prevenção, controle e contenção de riscos, danos e agravos à saúde pública”.
Segundo a Aeronáutica, já no sábado foi transportado o equivalente a 1,26 tonelada de alimentos a serem distribuídos para a comunidade da Kataroa, na região conhecida como Surucucu. No domingo, foram mais 2,50 toneladas.
De acordo com o Ministério da Saúde, os suprimentos fazem parte das cerca de 5 mil cestas básicas que estavam armazenadas na sede da coordenação regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Boa Vista.
Do total já disponível, 4 mil cestas serão destinadas à Terra Indígena Yanomami e mil irão para outras comunidades. Além disso, o governo federal anunciou a entrega de 200 latas de suplemento alimentar para crianças de várias idades.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, informou que as 5 mil cestas básicas foram adquiridas por meio de parceria com o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Funai, Ministério dos Povos Indígenas, Ministério da Saúde e Forças Armadas e transportadas do Amapá em aeronaves da FAB.