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A Crítica
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População de Careiro da Várzea sofre com os efeitos da cheia

Todas as ruas do município, que está em situação de emergência, já estão submersas

Publicado em 07/05/2021 às 15h09 · Atualizado em 09/03/2022 às 09h16
População de Careiro da Várzea sofre com os efeitos da cheia
Foto: Divulgação

O Amazonas está caminhando para registrar mais um marco histórico. Desta vez, o Estado pode enfrentar a maior cheia dos últimos 100 anos. Ao todo, 20 municípios estão em situação de emergência. Um deles é o município Careiro da Várzea (distante a 25 quilômetros em linha reta de Manaus).

A população estimada do município em 2020, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) era de 30.846 habitantes. Como o próprio nome indica, 95% da vegetação do município é tipicamente de várzea, sendo o restante composto em áreas de terra firme.

Para a diretora da unidade do Centro De Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) no município, Maria das Graças, a população se surpreendeu com a cheia ter vindo mais cedo nesse ano. Segundo Maria das Graças, o rio Solimões começa a transbordar geralmente em maio. Porém nesse ano, a cidade começou a ficar alagada ainda no meio de abril.

“O município é de várzea mas é o último que alaga em comparação a outras cidades do Amazonas que alagam mais cedo. Careiro da Várzea começou a alagar em abril, considerando que geralmente alaga lá pro dia 10, 15 de maio. Nesse ano, já no dia 16 de abril as ruas estavam todas alagadas. Não tem mais nenhuma rua visível. Foi preciso construir passarelas em madeira, para que os moradores pudessem caminhar e ter acesso ao comércio e serviços”, descreveu a diretora.

Maria das Graças aponta ainda que, segundo dados da Defesa Civil do Município, cerca de 1.700 famílias da zona rural foram atingidas pela enchente. Muitos que tem a agropecuária ou pesca como única fonte de renda, também foram prejudicados.

“Toda região da zona rural também está alagada. Posso te afirmar que hoje nós temos no mínimo 1.700 residências com assoalhos na água. Casas onde estão sendo feitas marombas para suspender as coisas, para as famílias conseguirem transitar porque muitos não tem para onde ir. Todo o rebanho bovino já foi retirado do município e também há muitas famílias desalojadas. A água já chegou acima da janela e foi preciso retirar todos e eles estão junto com outras famílias e indo para outros locais”, alerta Maria.

Chuvas acentuam o problema

O mês de janeiro foi muito chuvoso na região amazônica e as chuvas continuaram volumosas nas bacias dos rios Negro, Branco, Purus e Juruá. Segundo Renato Cruz Senna, meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), essas bacias contribuem especialmente para as cheias.

“Está em curso o fenômeno La Niña, que resfria os oceanos e faz com que a zona de formação de nuvens seja empurrada para áreas mais ao norte da região, onde se concentra o fluxo de umidade. O La Niña está terminando, mas isso não garante que as formações de nuvens se encerrem imediatamente”, afirmou o meteorologista.

Assistência

O prefeito de Careiro da Várzea, Pedro Guedes, informou que vem observando o rápido avanço das águas desde o mês de março. E, para isso, instituiu o Comitê de Respostas as Causas e Desastres Naturais, composto por diversas secretarias do município, como: Defesa Civil, Assistência Social, Meio Ambiente, Abastecimento, Saúde, entre outras. O comitê vem buscado apoio do poder público estadual e federal para providenciar assistência às famílias atingidas.

Com o objetivo de amenizar o estado de emergência que o município está enfrentando, o prefeito de Careiro da Várzea ressaltou que estão sendo construídas pontes de madeira desde o dia 20 de abril para manter o acesso da população aos serviços básicos.

“Sabemos que estamos vivendo um momento muito difícil, hoje em dia é muito complicado comprar madeira, mas o município não pode parar, darei o meu melhor para garantir que nossa população possa passar por esse momento da melhor forma possível”, afirmou Pedro Guedes.

Reequilíbrio econômico

Em relação aos prejuízos econômicos causados pela enchente, as secretarias de Produção, Meio Ambiente, Pesca e Assistência Social realizaram uma ação em conjunta no dia 21 de abril, no Distrito de Curuçá, onde reuniram produtores rurais, pescadores e comunitários, com objetivo de aproximar a gestão pública da sociedade.

“Os produtores foram surpreendidos com as cheias dos rios tendo grande parte de suas produções perdidas, os mesmos relataram as dificuldades que estão passando nesse momento. Além disso foi reafirmado o compromisso da Secretaria de Produção para o desenvolvimento do setor primário, onde os produtores contarão com o auxílio do poder público na aquisição de sementes”, informou o prefeito.

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