Projetos de gás impulsionam PIB de municípios do AM e levam Silves a crescimento de 515%
Dados do IBGE mostram salto econômico entre 2014 e 2021; Eneva aponta geração de empregos, investimentos sociais e fortalecimento da economia local
Os municípios de Silves e Itapiranga, no interior do Amazonas, registraram crescimento expressivo do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2014 e 2021. No período, Silves apresentou aumento de 515%, enquanto Itapiranga cresceu 141%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expansão coincide com a chegada de projetos ligados à exploração e produção de gás natural na região.
Em entrevista à reportagem de A CRÍTICA, a Eneva afirmou que a presença da companhia no Amazonas teve impacto direto nos indicadores econômicos dos municípios onde atua. De acordo com a empresa, a atuação começou em 2018, com a exploração do Campo de Azulão, em Silves, destinado à geração de energia para o estado de Roraima.
“A partir de 2019, com o início das obras do projeto integrado Azulão-Jaguatirica, houve uma mobilização intensa de trabalhadores e fornecedores locais, o que impulsionou de forma imediata a economia do município”, explicou Elizabeth Teles, gerente de Responsabilidade Social da Eneva. Segundo ela, mais de 3 mil pessoas foram empregadas na fase inicial, sendo cerca de 60% oriundas do próprio Amazonas.

Gerente de Responsabilidade Social da Eneva, Elizabeth Teles. (Divulgação)
Em Itapiranga, o impacto econômico está associado ao projeto Azulão 950, atualmente em construção. “O empreendimento já empregou cerca de 3,5 mil trabalhadores e pode chegar a 4 mil no pico das obras, o que reflete diretamente no aumento da renda, do consumo e da demanda por serviços locais”, destacou a porta-voz.
Dinamização da economia local
Além da geração de empregos diretos, a Eneva destaca que os projetos contribuíram para a diversificação da economia nos municípios. “A presença das operações impulsionou cadeias produtivas como hotelaria, alimentação e prestação de serviços, fortalecendo a arrecadação municipal e estimulando o desenvolvimento regional”, disse Teles.
Dados do IBGE indicam que o salário médio mensal dos trabalhadores com carteira assinada passou de 1,7 para 2,5 salários-mínimos em relação a 2010. Na área educacional, Silves também apresentou avanço no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), que subiu de 5,5 em 2019 para 6,5 em 2021.
Para o diretor-executivo de Comunicação e Relações Externas da Eneva, Aurélio Amaral, o impacto econômico faz parte de uma estratégia de atuação voltada ao desenvolvimento regional.
“Por meio de projetos voltados à segurança energética do Brasil, a Eneva vem contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento econômico e social das regiões onde atua. Além de priorizar a contratação de mão de obra local, investimos na contratação de fornecedores regionais, promovendo a economia circular e deixando um legado consistente”, pontuou.
Segundo Amaral, a diretriz da companhia é operar gerando valor permanente para as comunidades. “Mais do que um incentivo pontual, essa é uma meta da empresa: desenvolver os territórios onde estamos presentes de forma estruturada e sustentável”, completou.
Investimentos sociais e inclusão produtiva
A Eneva também destacou ações sociais voltadas à inclusão produtiva e à redução de vulnerabilidades. Um dos principais programas é o Elas Empreendedoras, voltado ao empreendedorismo feminino.
“Em Silves e Itapiranga, cerca de 90% das participantes superaram a linha da pobreza. Desde 2020, foram investidos R$ 1,1 milhão em ações sociais, beneficiando diretamente comunidades locais”, ressaltou a gerente de Responsabilidade Social da Eneva.
Na área educacional, a empresa informou que reformou a Escola Técnica de Silves, em parceria com o Governo do Amazonas. Em agosto deste ano, 81 alunos se formaram nos cursos técnicos de Gás e Energia, Eletromecânica e Agropecuária. A Eneva também apoia o Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), que recebeu R$ 1 milhão em investimentos e formou 153 alunos no estado.
Bioeconomia e recuperação ambiental
Outro eixo destacado pela companhia é a bioeconomia. De acordo com a Eneva, foram investidos R$ 3,6 milhões no programa Raízes de Valor, que implanta sistemas agroflorestais em áreas degradadas para o cultivo de alimentos e meliponicultura. A previsão é que, até 2030, sejam produzidas 65 toneladas de alimentos em cerca de 50 hectares.
A empresa também informou investimentos previstos de R$ 11 milhões, em parceria com o BNDES, para a recuperação de 400 hectares em Unidades de Conservação no Amazonas.
Expansão energética
Sobre a ampliação da matriz energética, a Eneva informou que o projeto Azulão 950 deve entrar em operação entre 2026 e 2027, com potência de 950 megawatts.
“Serão mais de 4,4 milhões de residências atendidas com energia segura e estável, reforçando a segurança energética nacional por meio do gás natural”, declarou Elizabeth Teles.
Segundo a companhia, a combinação entre geração de energia, investimentos sociais e fortalecimento das economias locais contribui para um modelo de desenvolvimento sustentável no interior do Amazonas.