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Sinais de sofrimento emocional podem ser confundidos com ‘mau comportamento’

Especialistas alertam que latidos excessivos e destruição de objetos indicam estresse; rotina equilibrada e alimentação adequada são chaves para a saúde mental de cães e gatos

Publicado em 19/04/2026 às 14h29
Sinais de sofrimento emocional podem ser confundidos com ‘mau comportamento’
Foto: Divulgação

A saúde emocional dos pets tem ganhado cada vez mais atenção de tutores e especialistas. Assim como os humanos, cães e gatos também podem desenvolver ansiedade, um problema que vai além do comportamento e pode impactar diretamente a qualidade de vida dos animais. Em muitos casos, sinais são confundidos com “mau comportamento”, quando, na verdade, indicam algum tipo de sofrimento emocional.

Mudanças na rotina estão entre os principais gatilhos. A maior permanência dos tutores em casa nos últimos anos, seguida pelo retorno às atividades externas, por exemplo, contribuiu para o aumento de casos de ansiedade de separação. Situações como mudança de ambiente, ausência prolongada ou até a falta de estímulos adequados também podem desencadear estresse nos animais.

Sinais que não devem ser ignorados

A ansiedade pode se manifestar de diferentes formas nos pets. Entre os comportamentos mais comuns estão agitação excessiva, latidos frequentes, destruição de objetos, eliminação em locais inadequados e mudanças no apetite. Em casos mais intensos, o animal pode desenvolver comportamentos compulsivos, como lamber as patas de forma contínua ou até arrancar a própria pelagem.

“Esses comportamentos não são difíceis de identificar, e uma vez percebidos, a recomendação é a ida ao médico veterinário para uma avaliação aprofundada”, orienta a médica veterinária Natália Lopes.

A ansiedade de separação é uma das formas mais recorrentes. “Os sinais mais comuns que notamos são: seguir o tutor pela casa, ficar perto da porta pela qual o tutor saiu, mastigar ou destruir coisas quando estão sozinhos ou arranhar portas e/ou objetos, entre outros”, explica a médica veterinária Deise Alberto.


Especialistas recomendam manter a calma ao sair ou chegar em casa para não estimular o estresse do animal (Divulgação)

 

Rotina, estímulos e alimentação fazem diferença

A prevenção e o controle da ansiedade passam, principalmente, pela organização da rotina e pelo respeito às necessidades naturais do animal. Criar horários consistentes, oferecer estímulos físicos e mentais e garantir momentos de interação são medidas que contribuem para o equilíbrio emocional.

Além disso, a forma como o tutor lida com saídas e retornos também influencia o comportamento do pet. Evitar despedidas intensas e manter a naturalidade nesses momentos ajuda a reduzir a associação com sentimentos de perda ou ansiedade. Estratégias como enriquecimento ambiental — com brinquedos e espaços adaptados — também auxiliam na adaptação, especialmente quando o animal precisa ficar sozinho.

A alimentação é outro fator relevante. Segundo especialistas, uma dieta equilibrada pode contribuir para o comportamento e o bem-estar emocional. “Importante salientar que, antes de tudo, é essencial consultar um veterinário ou zootecnista especializado em comportamento animal e distúrbios de comportamento ou depressão”, destaca a nutricionista veterinária Gabriela Corte Real.

Nutrientes como ômega-3, vitaminas do complexo B e aminoácidos associados à produção de neurotransmissores podem auxiliar na regulação do humor e na redução do estresse. Ainda assim, especialistas reforçam que a alimentação deve ser vista como parte de um cuidado mais amplo, que envolve acompanhamento profissional e atenção ao comportamento do animal.

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