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A Crítica
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Uma encrenca de R$ 500 bilhões

O grupo técnico de Minas e Energia da equipe de transição divulgou recentemente o tenebroso panorama do setor

Publicado em 09/12/2022 às 09h44
Uma encrenca de R$ 500 bilhões
Foto: Agência Brasil

O Brasil vive um fenômeno bastante incomum, que pesará no bolso dos contribuintes pelos próximos anos: apesar de contar com custos de geração de energia que estão entre os mais baratos do mundo, tem uma das tarifas de energia mais caras do planeta. E essa conta ficará ainda mais salgada. O grupo técnico de Minas e Energia da equipe de transição divulgou recentemente o tenebroso panorama do setor. No total, há mais de R$ 500 bilhões resultantes de medidas enviesadas tomadas nos últimos anos, como obrigações criadas com a venda da Eletrobrás, empréstimos para subsidiar o setor durante a crise sanitária e a crise energética de 2021.

Trata-se de um absurdo contrassenso. Não custa lembrar que a privatização da Eletrobrás foi realizada exatamente para ampliar a eficiência energética e baratear a conta de luz dos brasileiros. Mas, do jeito que foi feita, criou uma série de despesas para o Estado, que terão que ser absorvidas na conta de energia. Não faz sentido. Mas é assim que será. Pagaremos durante vários anos por um projeto mal elaborado de privatização. O Brasil conseguiu tornar um processo que deveria reduzir despesas em uma fonte de gastos que vai perdurar por muitos anos. É a demonstração inequívoca de que privatizações malfeitas, longe de ajudar o País, criam problemas e obstáculos ao desenvolvimento. Não é uma crítica às desestatizações, necessárias em vários setores, mas um alerta quanto à falta de rigor técnico e excesso de politicagem.

Cabe lembrar que o País tem um potencial energético extraordinário: são milhares de quilômetros de costa marítima que podem aproveitar energia eólica, gás natural subaproveitado na Amazônia e sol o ano inteiro na região Norte, só para ficar em poucos exemplos. Já passou da hora de elaborar um planejamento de longo prazo visando a geração eficiente de energia. A encrenca que vivemos atualmente é resultado da ausência de planejamento. Mais do que nunca, precisamos de políticas públicas para este setor, que tem sido menosprezado há anos.

O País paga o preço da falta de planejamento. Precisamos de um projeto conciso e integrado de desenvolvimento energético, com ações bem definidas e metas mensuráveis. É uma tarefa que precisa ser encampada pelo novo governo que assumirá as rédeas a partir de janeiro.

 

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