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A Crítica
Manaus

Ato ‘vidas negras e indígenas importam’ toma as ruas da Zona Leste

O público com cartazes, e de maneira pacífica, pedia por segurança e justiça para as minorias. Entre as principais pautas levantadas pelo grupo está a fraude no sistema de cotas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam)

Publicado em 07/06/2020 às 22h24 · Atualizado em 22/03/2022 às 17h18
Ato ‘vidas negras e indígenas importam’ toma as ruas da Zona Leste
Foto: Eraldo Lopes

O “Ato Vidas Negras e Indígenas Importam” reuniu na tarde de hoje (7) manifestantes na Avenida Itaúba, bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus. O público com cartazes, e de maneira pacífica, pedia por segurança e justiça para as minorias.

Entre as principais pautas levantadas pelo grupo está a fraude no sistema de cotas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Nesta quinta-feira (4), perfis de redes sociais denunciaram alunos que se autodeclararam pretos, pardos e indígenas, para entrarem na instituição, mesmo sem atender aos requisitos.

“A Região Norte tem um nível elevado de fraudes de utilização de má fé das cotas raciais. Existe uma comissão que está tentando sistematizar melhor esse processo na Ufam, mas como isso está sendo negligenciado, muita coisa aconteceu nos últimos três anos”, comentou Zanza Almeida, representante da União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro).

Concentração dos manifestantes. Foto: Eraldo Lopes

O ato foi organizado por várias entidades do movimento negro e idealizado, em Manaus, pelo Fórum de Juventude Negra do Amazonas (Fojune/AM). De acordo com a Polícia Militar, o público de manifestantes era de aproximadamente 100 pessoas. A concentração ocorreu na Bola do Jorge Teixeira e seguiu a pé até o Terminal 4 (T4).

Violência

Zanza explica que a escolha do bairro Jorge Teixeira para a realização do ato não foi por acaso. A maior população negra de Manaus reside nas Zonas Norte e Zona Leste. “Quando a gente vai analisar os dados da juventude que morre no Brasil, infelizmente Manaus está entre as 140 cidades mais violentas com a juventude negra, e a Zona Leste, mais uma vez fica à frente. Essa é uma das razões pelas quais nós escolhemos coletivamente essa área”, disse.

Segurança

Para garantir a segurança dos manifestantes, o ato se realizou com a presença do advogado Vinícius França, do Movimento Alma Negra. “Em outros estados tivemos repressão policial e isso fez com que, em Belém (PA), por exemplo, um grupo de 70 pessoas não conseguisse fazer sua manifestação. Nós trouxemos advogados hoje para evitar”, contou Vinícius.

A liderança do movimento e o efetivo policial conversaram pacificamente sobre o sistema de segurança dos manifestantes. “Estamos nesta manifestação com mais 100 homens na intenção de dar a sensação de segurança para o evento, conforme acordado com a organização do evento”, disse o tenente-coronel Cledemir Silva, comandante da Comando de Policiamento de Área – CPA Leste.

Foto: Eraldo Lopes