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A Crítica
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Bloqueio de verbas da Educação já tem reflexos na Ufam, dizem docentes

Diretora da Associação dos Docentes da Ufam informou que em alguns cursos de graduação está acontecendo a interrupção de aulas de laboratórios

Publicado em 14/06/2019 às 16h12 · Atualizado em 22/03/2022 às 18h33
Bloqueio de verbas da Educação já tem reflexos na Ufam, dizem docentes
Foto: Diretora da Associação dos Docentes da Ufam (Adua), Ana Lucia Gomes. Foto: Euzivaldo Queiroz

Durante a greve geral desta sexta-feira (14) contra a reforma da Previdência, a diretora da Associação dos Docentes da Ufam (Adua), Ana Lucia Gomes, explicou que o contingenciamento de recursos na educação já tem reflexos no quantitativo de bolsas de estudo e pesquisa, sobretudo, nos curso de pós-graduação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

“Tem curso de pós-graduação que corre o risco de fechar. Nos menores a tendência é fechar. Alunos que já tinham feito seleção foram impedidos de continuar, pois grande parte não tem condições de continuar sem a bolsa de estudo por ser do interior e ter que arcar do próprio bolso com todos os custos”, disse a professora do Instituto de Ciências Biológicas (IBC).

Ainda segundo a professora, o impacto também já é sentido nos curso de graduação com a interrupção de aulas de laboratórios em outros campi da universidade e a realização de práticas de campo, por exemplo, nas atividades na fazenda experimental da Ufam, localizada no quilômetro 38 da rodovia BR-174.

No fim de abril, o governo federal anunciou o congelamento de R$ 1,7 bilhões dos gastos das universidades, de um total de R$ 49,6 bilhões. Na quarta-feira (12), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) aceitou o recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) e derrubou a liminar que suspendeu o contingenciamento de verbas.

A decisão bloqueia, de novo, recursos da ordem de R$ 38 milhões da Ufam. O corte atinge gastos discricionários, ou seja, os que mantêm em funcionamento a instituição como a compra de equipamentos, pagamento de água, luz, bolsas acadêmicas e de funcionários terceirizados.

Professores universitários criticaram também a retirada de investimentos no ensino público e a destinação para o ensino privado com o financiamento de programas, por exemplo, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Para o estudante de Ciências Sociais e membro do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), Cláudio Santana, de 20 anos, a continuidade das atividades de extensão e pesquisa está ameaçada no segundo semestre.

“O reitor já anunciou que não é para gente contar com a bolsa no segundo semestre. Não sabemos se vai continuar ou não. A pesquisa é essencial e o dinheiro é importante. Os cortes na educação vão tirar muitos alunos que dependem do recurso para se manter na universidade e permanecer pesquisando e comprando livro”, declarou.