‘Hawk’: FPFtech anuncia construção do primeiro centro de inovação da Região Norte
Orçado em R$ 5 milhões, o “Hawk” deve ficar pronto em seis meses e promete ser um avanço em bioeconomia e soluções tecnológicas
A Fundação Desembargador Paulo Feitoza (FPFtech) anunciou nesta quinta-feira (11) a construção do primeiro centro de inovação da Região Norte do Brasil. Orçado em R$ 5 milhões, o “Hawk” deve ficar pronto em seis meses e promete ser um avanço em bioeconomia e soluções tecnológicas.
O anúncio foi feito pela manhã, nas dependências da FPFtech, onde o Hawk Centro de Inovação deve ser instalado, bairro Distrito Industrial I, nas zonas Leste e Sul de Manaus. A proposta é promover um ambiente de forte cultura de inovação e empreendedorismo para incentivar a colaboração, impulsionar negócios e fortalecer o crescimento econômico no Amazonas. O Hawk tem como inspiração a Rede de Inovação Florianópolis, mentora de mais de 50 startups em Santa Catarina.
O Hawk foi pensado para funcionar como estrutura intermediária entre incubadora de empresas e parques tecnológicos, em outras palavras, para reunir em um mesmo espaço indústria, universidades, governos, investidores e mentes criativas. O diretor executivo da FPFtech, Luís Braga, definiu o centro como um projeto de competitividade global e intensidade tecnológica. As áreas de atuação são variadas, desde indústria 4.0, sistemas eletrônicos, segurança da informação, tecnologias assistivas e automação industrial.

(Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA)
Outra grande aposta do centro é a bioeconomia, algo que vem da identidade tanto da fundação quanto da região Amazônica. A proposta, neste caso, é expandir os conhecimentos técnicos, criar soluções e implementá-las em quem está na ponta do processo, como os ribeirinhos e agricultores; para alcançar este objetivo, Luís Braga entende que o Hawk precisa atuar além dos limites físicos do prédio e estar presente no interior do Amazonas.
“A gente não quer ajudar, por exemplo, quem colhe castanha a ganhar R$ 60 por saca, queremos ensinar essa pessoa a como transformar a atividade dela em um negócio; embalar o produto, seguir regras sanitárias, ter qualidade e lucro maior”, disse o diretor.

Luís Braga, diretor executivo da FPFtech (Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA)
O Governo do Amazonas pode ser um dos principais parceiros na tarefa de expandir a atuação do Hawk no interior do estado. O Secretário Executivo de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, Jeibi Medeiros, definiu a parceria como essencial para o crescimento da bioeconomia.
“A gente precisa criar este estímulo para colaboração. De repente eu consigo, junto com a Universidade do Estado do Amazonas, unir [ o centro de inovação ] e levar ações de ensino e pesquisa para aquelas localidades mais distantes”, defendeu Medeiros.

Jeibi Medeiros, secretário executivo de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado (Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA)
Previsão de lançamento
O Hawk foi desenvolvido no ano passado e contemplado com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), agência pública que fornece recursos para projetos como este. Através da parceria, a FPFtech recebeu cerca de R$ 5 milhões para a construção do centro de inovação. A estimativa da fundação é estar com tudo pronto em seis meses. Além de enviar o recurso, a FINEP também pode atuar como uma ponte junto ao governo federal para novos projetos que possam surgir do centro de inovações.
“Essa iniciativa abrirá a porta para novos projetos em inovação e empreendedorismo para saltos tecnológicos. A FINEP está feliz em apoiar o projeto e vamos acompanhar de perto”, disse o Gerente Regional do Norte da FINEP, Rodrigo de Lima.
O espaço vai contar com outras duas iniciativas da FPFtech. Uma delas é a Escola Tecnológica Desembargador Paulo Feitoza, a etech. Ela desenvolve a qualificação de profissionais para a indústria 4.0 com cursos de automação industrial e desenvolvimento de software. A outra é a Incubadora Tecnológica WIT, que atua na criação de redes de parcerias nacionais e internacionais e é credenciada junto à Suframa.
Uma vez construído, o centro vai publicar os editais para o chamamento público das startups.
Pioneirismo na região norte
De acordo com o Índice Fiec de Inovação dos Estados, produzido pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará, o Amazonas está no primeiro lugar no ranking nacional de intensidade tecnológica, deixando para trás São Paulo, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. Outra boa colocação é o segundo lugar em competitividade global. Por outro lado, na infraestrutura o índice é um dos piores: 25 de 27 colocações. O Brasil tem 25 centros de inovação e 24 parques tecnológicos em operação e outros 13 em implementação, mas nenhum deles na região Norte.
Os idealizadores do Hawk defendem que ele vem para mudar essa realidade e criar uma soma de fatores que possam contribuir para o crescimento humano, tecnológico e econômico não apenas do Amazonas, mas dos estados vizinhos ao se colocar como uma referência de investimentos.
“O projeto está conectado com as necessidades da nossa região de se desenvolver e ter opções para que as pessoas que se formam aqui fiquem aqui, em especial no setor de inovação e tecnologia”, disse Luís Braga.
O retorno estimado também está diretamente ligado ao campo econômico. Geração de emprego, renda e segurança jurídica para atuar estão entre as principais bandeiras defendidas pela direção da FPFtech.
O surgimento do Hawk foi comemorado pelo Governo do Estado que estuda a criação de uma regulação da ciência e tecnologia local e espera contar com iniciativas privadas para a construção das diretrizes. O intuito é ter uma ferramenta a mais para alavancar a economia e o desenvolvimento social.
“A gente está recuperando o nosso ecossistema de ciência e inovação e estamos chamando todos que possam contribuir com ele. Temos que trabalhar com governo, academia e indústria para criar uma nova realidade local”, disse o Secretário Executivo de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, Jeibi Medeiros.