Invasores voltam a ocupar o terreno da antiga comunidade Arthur Bernardes
Defensor público Carlos Almeida irá entrar contato com os invasores para saber como a DPE poderá atuar.
Poucas horas após serem retirados pela polícia militar do terreno da antiga comunidade Arthur Bernardes, no bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus, um grupo de invasores voltou a ocupar o local na manhã desta quinta-feira (06), e desafiou as autoridades. Eles afirmam que irão voltar todas as vezes que forem retirados.
Após um acordo com o Governo do Estado do Amazonas Após um acordo com o Governo do Estado do Amazonas , que voltará a pagar o aluguel social e indenizações às famílias que perderam suas casas em um incêndio ocorrido há quatro anos e cinco meses, os ex-moradores da comunidade decidiram sair do local na quarta-feira (05).
Contudo, cerca de 50 famílias ocuparam o terreno, prometendo não sair do local até que o governo dê a eles a posse da terra. Retirados do local na quarta à noite, eles desafiaram os órgãos públicos e voltaram a invadir a área hoje pela manhã.
A doméstica Vanda Lima disse que mora em uma casa alugada ali próximo, mas não consegue mais pagar R$ 450 e ver a casa alagando nos tempos de chuva. Apesar de ter sido retirada da área na quarta-feira pela Polícia Militar, Vanda disse que voltará quantas vezes for necessário, até conseguir um terreno. A dona de casa Maria das Graças também disse que espera ganhar um lote e não pretende sair do terreno.
Maria das Graças contou que paga um aluguel de R$ 150 em um quarto que está quase desabando. Ela alega que não tem como pagar mais porque não tem renda suficiente e ainda cuida de um neto que tem problemas de saúde
Reocupação
No início da manhã desta quinta-feira, os invasores voltaram a ocupar o terreno, demarcar lotes e construir pequenos barrocos com madeira e lonas. No total, segundo moradores, 50 famílias estão ocupando a área. “A maioria dessas pessoas mora aqui próximo, são pessoas carentes”, disse um invasor que não quis se identificar.
Ele disse ainda que um grupo de moradores irá procurar representantes da Suhab e da Defensoria Pública para saber como ficará a situação dessas famílias.
O defensor público Carlos Alberto Almeida Filho disse que irá procurar representantes dessa nova invasão para saber os motivos pelos quais estão na área e, posteriormente, saber de que forma a Defensoria Pública do Estado (DPE) poderá atuar.
Porém, Carlos Alberto destacou que essas famílias que estão invadindo áreas públicas devem ser retiradas do local. O defensor disse também que há a necessidade de se debater mais profundamente o assunto das invasões e não atuar apenas com medidas paliativas. “Entendendo que essas famílias não têm moradia, é preciso que ações mais efetivas sejam adotadas por todos os órgãos públicos para evitar esse tipo de atitude dessas pessoas”.