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A Crítica
Manaus

Manaus enfrenta chuvas acima da média e exige atenção redobrada

Capital registra volumes intensos no início de novembro; Defesa Civil reforça ações em 363 áreas de risco enquanto especialistas alertam para fenômeno climático pontual

Publicado em 15/11/2025 às 12h14
Manaus enfrenta chuvas acima da média e exige atenção redobrada
Foto: Paulo Bindá/ A CRÍTICA

Manaus iniciou novembro sob forte influência das chuvas, com volumes já acima da média esperada para o início do mês. Segundo dados do CENSIPAM (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia), a capital amazonense registrou entre 100 mm e 150 mm de precipitação nos primeiros dez dias do mês, o que representa uma parcela significativa da média histórica mensal, que varia entre 170 mm e 190 mm.

O mapa de anomalias do órgão classifica Manaus como uma área “muito chuvosa” neste início de novembro. A previsão para o trimestre, novembro, dezembro de 2025 e janeiro de 2026, indica que a capital deve continuar com chuvas acima do normal, exigindo atenção redobrada das autoridades diante dos riscos de alagamentos, deslizamentos e transtornos urbanos.

No dia (11) Manaus registrou 60 mm de chuvas o que já clássica um volume acima do esperado, dois dias depois (13) o acumulado foi de 85,11 mm. O que representa uma altra intensidade em um curto período de tempo.

Diante desse cenário, a Defesa Civil de Manaus intensificou as ações preventivas. O Chefe de Operações, José Mendes, afirma que as equipes estão nas ruas diariamente, monitorando os bairros mais vulneráveis, especialmente na zona Leste, onde estão localizados os bairros Gilberto Mestrinho e Jorge Teixeira, os dois mais , os dois mais afetados.

“Temos três meteorologistas na nossa central que disparam alertas em tempo real. Assim que identificamos áreas com maior intensidade de chuva, enviamos equipes para apoiar as famílias”, explica.

Ações da Defesa Civil

Entre as medidas adotadas estão:

  • Instalação de placas de sinalização em áreas de risco.
  • Orientação técnica às famílias por engenheiros da Defesa Civil.
  • Remoção preventiva de moradores em áreas com risco elevado.
  • Implantação de eco-barreiras nos igarapés para conter lixo e evitar alagamentos.
  • Desassoreamento de igarapés como Mindu, Passarinho, Parque 10 e Centro.
  • Educação comunitária por meio dos núcleos NUPDEC, que levam informações sobre riscos e descarte correto de resíduos às escolas e comunidades.
  • Mapeamento técnico das 363 áreas de risco identificadas na capital.


“Nós temos uma equipe de engenheiros fazendo esse mapeamento. São 363 áreas de risco em Manaus que monitoramos constantemente para evitar novos deslizamentos e desabamentos”, afirmou Mendes.

O chefe da Defesa Civil também destacou ações de recuperação urbana, como o tratamento de vossorocas, erosões profundas causadas por chuvas, em bairros como Mauazinho, onde uma área crítica que foi transformada em praça pública.

Apesar do volume de chuvas crescente na capital, o meteorologista Leonardo Vergasta, do LabClean/UEA, alerta que esse padrão não se repete no restante do estado.

 “O período chuvoso na Amazônia tem início em momentos diferentes, dependendo da região. Em Manaus, ele começa em novembro, mas no sul da Amazônia, como Mato Grosso, Rondônia e Acre, já se inicia em outubro”, explica.

Vergasta destaca que, embora Manaus tenha registrado chuvas acima da média desde o período seco, esse comportamento é pontual e localizado. Dados da estação meteorológica do LabClean,  mostram que a capital já acumulou 88 mm em novembro, com expectativa de alcançar os 189 mm até o fim do mês. Os meses anteriores também apresentaram volumes elevados, mesmo fora do período chuvoso.

O especialista atribui esse fenômeno à atividade convectiva, causada pelo aumento do fluxo de umidade vindo do Oceano Atlântico. 

“Estamos em um ano de neutralidade climática, sem influência de El Niño, La Niña ou aquecimento do Atlântico Tropical Norte. Isso favorece instabilidades atmosféricas que provocam chuvas intensas em áreas específicas, como Manaus e sua região metropolitana”, afirma.

Em contraste, localidades como Humaitá, Manicoré, bacia do Madeira e rio Juruá apresentam chuvas abaixo da média.

“Não podemos generalizar o padrão observado em Manaus para toda a Bacia Amazônica. Há regiões com déficit hídrico e outras com excesso, o que exige análises localizadas”, reforça Vergasta.

O meteorologista também chama atenção para a distribuição irregular das chuvas. 

“Apesar dos volumes elevados, elas não estão bem distribuídas ao longo do mês, o que cria a falsa sensação de que o período chuvoso começou antes do previsto. Na verdade, ele começou no tempo certo, mas com episódios intensos e concentrados”, conclui.

Embora a NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, tenha declarado o início do fenômeno La Niña em outubro de 2025, com previsão de permanência até fevereiro de 2026, o LabClean/UEA adota uma leitura diferente para a região amazônica.

Segundo o laboratório da Universidade do Estado do Amazonas, a simples queda de temperatura no Pacífico não é suficiente para caracterizar o fenômeno. É necessário observar alterações no acoplamento oceano-atmosfera, como mudanças na circulação e nos campos de pressão, que influenciam diretamente o regime de chuvas na Amazônia.

 “Estamos tratando como um resfriamento no Pacífico, mas ainda não vemos um padrão técnico de La Niña. As chuvas acima da média estão ocorrendo de forma pontual, como em Manaus, enquanto outras áreas da bacia amazônica apresentam volumes abaixo da média”, afirma o meteorologista Leonardo Vergasta.

O LabClean opta por não seguir automaticamente os critérios da NOAA, adotando uma postura mais cautelosa e baseada em dados locais. A divergência evidencia a complexidade da climatologia amazônica e a importância de análises regionais para orientar ações preventivas.