Obras da Copa de 2014 preocupam moradores do AM
O bairro de Flores tem tudo para ser o centro das atenções em 2014, mas moradores temem prejuízos com desapropriações por conta da obra
O bairro de Flores era considerado um dos mais longínquos da cidade até a metade do século passado. Mas a industrialização de Manaus e a construção do estádio Vivaldo Lima, nas décadas de 60 e 70, impulsionaram o desenvolvimento do bairro, que hoje é o maior da zona Centro-sul da capital amazonense.
Cortado pelas principais avenidas da cidade, como a Constantino Nery, Mario Ypiranga Monteiro e Torquato Tapajós, Flores tem tudo para se tornar o “centro” da capital amazonense no ano que vem, durante os jogos da Copa do Mundo em Manaus.
A “invasão” de turistas e profissionais durante o mundial de futebol gera expectativas nos moradores. Mas nem todos têm o que comemorar. Alguns comerciantes “vizinhos” da nova Arena Amazônia vivem um dilema por conta da possibilidade de seus imóveis serem desapropriados para intervenções na mobilidade urbana e no entorno do estádio.
As incertezas têm “travado” a expansão de negócios como restaurantes, lanchonetes, lojas e salões de beleza do conjunto Flores, que fica nos arredores do novo estádio. “Já pensou se eu reformo todo o meu restaurante, invisto na qualificação dos meus funcionários e, de repente, sou retirada daqui? É muito complicado. Já ouvimos vários boatos, mas ninguém do Governo vem aqui se posicionar”, questionou a proprietária do restaurante Nossa Casa, Maria Antônia da Silva.
Dono do ponto de táxi mais próximo da Arena da Amazônia – a Selva Rádio Táxi – Salvador da Silva, 62, também está apreensivo. O ponto tem 32 anos de existência e poderia faturar bastante durante a Copa. “Não sabemos se vamos sair daqui. Queria muito aumentar a frota para os jogos da Copa. Já falaram que esta área toda serviria de estacionamento para o estádio, que sairia para o monotrilho, mas até agora nada. Só espero que não nos retirem daqui ‘em cima’ da Copa”, comentou.
Instalada na avenida Loris Cordovil há dois meses, a peixaria Lapidus investe na ampliação do local, construindo mais dois andares. A proprietária, Elcinete Rolim, se mostrou surpresa com a possível saída do ponto. “Como somos recentes aqui, não sabia disso. Muitos engenheiros e funcionários da obra do estádio almoçam aqui. Estamos construindo mais dois andares para dar conta da demanda, fechamos alguns contratos. Não podemos ser retirados de uma hora para outra”, alertou.