Reajuste da tarifa cobre os custos do transporte coletivo até o final da gestão David
Presidente do IMMU, Paulo Henrique Martins, justificou o aumento do preço da passgem e disse que é suficiente para cobrir os custos neste e no próximo ano
No último domingo (21/5), os manauaras começaram a pagar mais caro pela passagem de ônibus. Nas negociações para reajuste salarial dos trabalhadores do transporte coletivo, a prefeitura escolheu o remédio mais amargo para a população e após seis anos, a tarifa subiu 18,4%, saindo de R$ 3,80 para R$ 4,50.
A medida, no entanto, é defendida pelo diretor-presidente do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana, Paulo Henrique Martins. Em entrevista ao podcast Sim&Não de A CRÍTICA ele aponta que o sistema de transporte coletivo está colapsado e o reajuste foi necessário para aliviar o subisídio pago pela prefeitura que banca quase 50% do transporte urbano. Veja trechos da entrevista.
Aruana: Com esse reajuste da tarifa por quanto tempo a gente consegue garantir qualidade e sustentabilidade para o transporte coletivo, considerando que já está deixando um déficit se calculada a inflação?
A política voltada para o transporte público sempre foi de transferir para a usuário todo o custo. Você fazer um planejamento de transporte e imaginar que vamos fazer tantas viagens por ano, vamos rodar tantos quilômetros e pra essa quilometragem vamos gastar tanto. Daí era feito o custo prévio em cima um projeto de serviço e em cima disso você tinha também uma previsão de passageiros, você pegava aquele custo, dividia pela quantidade de passageiros e estabelecia uma tarifa. Ao longo dos anos essa tarifa podia tanto remunerar quando podia ser deficitária e essa conta nunca era discutida. Até que uns 4 anos atrás, a prefeitura resolveu fazer uma intervenção no governo passado e o resultado dessa intervenção é que existia sim déficit entre a tarifa que era cobrada e o custo que era exercido pelo serviço. Existia sempre aquela informação do empresário [alegando]: ‘eu não consigo comprar mais ônibus, não consigo melhorar [o serviço], porque o valor que eu estou recebendo ele não está cumprindo os custos.
Definido isso a prefeitura começou a fazer o subsídio. Quando nós entramos em 2021 recebemos já o sistema com subsídio com cálculo mensal do subsídio. Todo o mês é calculado quanto custa o serviço, quanto ele arrecada, a diferença entre o custo e o que é arrecadado o custeio, que o subsídio.
Aruana: Ou seja, a prefeitura completa essa conta para não ficar no vermelho?
Isso. A gente poderia continuar mantendo uma tarifa menor? Nós poderíamos fazer duas coisas: poderíamos diminuir a qualidade, a gente reduz a quantidade de ônibus. Tem 1.150 ônibus rodando. Poderiam ser 900. Você teria uma frequência maior entre os ônibus e a população teria mais dificuldade. Poderíamos brecar a compra de ônibus novos e continuar com ônibus velhos. Ou seja, o valor do serviço é o valor atribuído à qualidade do serviço. Isso está diretamente relacionado. O serviço mal remunerado você vai ter que ir diminuindo a qualidade. A prefeitura tem limite orçamentário e esse limite ficou estabelecido. Ela [prefeitura] ultrapassou esse limite no ano passado, já remanejando dinheiro de orçamento de outras atividades para cobrir subsídio do transporte para que não houvesse uma diminuição na qualidade do serviço.
Foram feitos os novos investimentos nos ônibus com ar-condicionado, no ano passado foram somados, nos dois anos, 252 onibus novos em circulação. Para este ano, nós estamos prevendo de 150 ônibus e 250 no ano que vem. Ao todo são mais de 600 ônibus, em quatro anos, de uma frota de 1.100 ônibus. Veja que é mais 50% renovado em quatro anos. Esse processo, se ele for continuado para os próximos quatro anos, a gente vai ter ali uma renovação de 100% da frota em oito anos.
Aruana: Mas a inflação não para. Como a gente consegue verificar se o reajuste será anual? Porque, quem lembra, há algum tempo esses reajustes ocorriam quase que anualmente.
Nós já temos uma previsão de que, por exemplo, esse reajuste dado agora a gente vai conseguir já equacionar o problema deste ano e do próximo. A determinação do prefeito é que a gente fizesse um estudo para que não tivesse problema [de aumento]. A tarifa saiu de R$ 3,80 para R$ 4,50 e foi feito um cálculo de forma que a gente já tenha capacidade técnica de manter os investimentos. Nós tínhamos um cenário que o subsídio pago no ano passado foi de R$ 400 milhões, e que recurso é esse? R$ 120 milhões foi do governo do Estado através de um convênio para custeio das gratuidades dos estudantes, os outros R$ 285 milhões foram dos cofres da prefeitura. Já em 2020 foram R$ 280 milhões. Então temos R$ 280 milhões no primeiro ano e R$ 285 milhões no segundo ano. Houve um aumento. Então estamos com essa projeção de ter esse mesmo valor esse ano [R$ 285 milhões] e para o próximo ano. Então está dentro de uma de uma previsão daquilo que a sustentável para a prefeitura.
Giovanna: As empresas que atuam no transporte coletivo são empresas privadas. Como é que é explicar para a população a manutenção desse sistema com dinheiro público?
Aruana: Em algum momento chegou a ser discutida a estatização do sistema?
Essa discussão não é local, é nacional. Eu tive a oportunidade de representar o prefeito agora no início do mês de maio e a discussão dos prefeitos era essa. Existem modelos diferentes sendo implantados, porque antes era tudo pago pela tarifa e de um momento para cá todo serviço está sendo subsidiado em todas as grandes cidades, só que existem modelos diferentes. Por exemplo, a cidade do Rio de Janeiro está experimentando um modelo onde ela contrata uma empresa para entregar os ônibus e uma empresa pra fazer o serviço pessoal. Imagina que o serviço fosse feito pela prefeitura, o serviço da prefeitura normalmente são com máquina, aluga máquina e contrata gente para operar. Então a gente vai sair de um modelo concessão para um processo de terceirização. Isso não diminuiria o custo, porque ele é calculado em cima do serviço que a gente quer oferecer. Para rodar 1.150 ônibus, com os ônibus com essa idade de frota, com os trabalhadores que recebem esse valor, custa isso. Não existe uma perspectiva de diminuir com a entrada ou saída do concessionário. O que a gente está adaptando em Manaus é um sistema de uma concessão que foi dada que está presente e cabe salientar que quando você quebra essa concessão, você tem que ir na justiça fazer o pagamento pela quebra da concessão.
Aruana: Pela lei ela [concessão] iria até quando?
Ela foi renovada no último ano do prefeito Arthur. Já recebemos ela renovada por mais 10 anos. Ela vai até 2031 quando encerra a concessão. Mais o modelo de concessão ainda é responsável por 50% dos custos. Porque hoje está mais ou menos dividido [os custos]. A prefeitura está pagando 50% dos custos e o privado 50% dos custos sendo que o ônus de fazer o investimento está sendo do privado.
Os ônibus que estão sendo comprados, por exemplo, não estão sendo comprados com os recursos da prefeitura. Quando ele [empresário] vai comprar o ônibus, que está na faixa de mais ou menos R$ 750 mil, se ele vai comprar 100 ônibus ele vai gastar R$ 75 milhões. Esse dinheiro é ele que vai ao banco, é ele que aprova e é ele que desembolsa. Para se ter uma ideia hoje a remuneração que o sistema paga, que seria a remuneração do capital que ele investiu, não paga a conta que eles pagam para os bancos. As empresas pagam em torno de R$ 7 milhões de banco mensalmente e isso não está dentro do cálculo da tarifa. Esse é um investimento do empresário. Tem o outro lado da garagem, manutenção, administração de tudo isso que não é simples, é tudo feito pelas empresas. Hoje a prefeitura e estado estão entrando com mais ou menos, mas a gente tem que ver o seguinte, que desses 50% teve R$ 120 milhões, porque houve um vontade pública de se fazer o pagamento da gratuidade do estudante.
Aruana: Em algum momento a gratuidade foi questionada ou entrou em risco de acabar por conta dessa conta que não fecha?
Não. Em momento algum, porque os resultados são positivos. Essa parceria que firmada entre o governador e o prefeito, ela trouxe um resultado que nem era o que nós imaginamos. O prefeito falava semana passada que a evasão escolar diminuiu, as crianças estão indo mais a escola e estão participando mais na escola. Então tem um resultado para a escola por conta do subsídio para a gratuidade. A pergunta é: o dinheiro do subsídio vai para as empresas? O dinheiro do subsídio não vai para a empresa. A empresa para fazer aquela operação tem um custo e esse custo seria colocado na tarifa. Vamos imaginar que tarifa média, por exemplo, do mês de fevereiro foi R$ 7,27 e de janeiro foi R$ 7,59. Se essa operação com aquela quantidade de ônibus, cada pessoa R$ 7,60. O que a prefeitura faz é que a pessoa pagava R$ 4,80 e a prefeitura pagava o restante. Então, o subsídio não é para o empresário, porque se ele não poder operar a R$ 7,50, ele vai dimensionar a operação dele, vai tirar ônibus, vai tirar cobrador, mas quem vai pagar é a população que não vai ter um bom serviço. Para você ter o melhor serviços, custa xis. São Paulo, Belo Horizonte, Manaus, Curitiba em todas essas cidades o custo da tarifa técnica é acima de R$ 7. É o que a população teria que pagar.
Giovanna – A segurança tem sido muito questionada pelos usuários do transporte coletivo. A prefeitura diz que tem investido em tecnologias, mas como isso vai garantir o bem-estar desse usuário?
Primeiramente precisamos pensar o seguinte: a segurança não é uma política municipal. A segurança é uma política estadual. A gente cobra mais segurança. A gente teve uma reunião com a Secretaria de Segurança do Estado, com a polícia que uma grande parceira no nosso trabalho diário, mas hoje o que acontece de um assaltante ir no ônibus, assaltar aquele ônibus, depois assalta no ponto de ônibus, a insegurança é geral. Ela não é uma coisa restrita ao ônibus. O ônibus é um reflexo do problema de segurança que existe, que vivemos hoje.
A gente fez uma pesquisa no ano passado para que as pessoas indicassem os principais problemas no transporte e mais indicado é a segurança. O prefeito David disse o seguinte: o que nós podemos fazer para auxiliar na segurança? Ai ele criou a Secretaria Municipal de Segurança, com olhar voltado para aquilo que o município pode ajudar, que é o monitoramento, que é colocar pessoas fazer o patrulhamento, é a presença. Com a presença do homem nos lugares, no Terminal de Integração, por exemplo, é um lugar que a gente tem muita dificuldade, a gente inibe a operação do criminoso. Dentro desse contexto, nós tivemos uma diminuição grande nesses primeiros meses, comparado ao ano passado, com 30% de diminuição de assaltos dentro dos ônibus, isso por que? Porque essa política municipal de monitoramento está dando resultado. 66% dos ônibus já têm câmera. Então, o bandido que entrar no ônibus para assaltar, vai ficar aqui a foto dele registrada. Não assalte ônibus porque você vai ficar registrado, a câmera está gravando todo mundo. Nos terminais de integração instalamos do T2 e no T1 o reconhecimento fácil, a medida que forem fazendo a reforma em outros terminais de integração eles vão ser também colocados nesses terminais. Esse sistema tem capacidade de filmar, analisar, saber quem é a pessoa, gravar aquela imagem. Quando o sistema for todo instalado, os ônibus vão ter esse sistema em tempo real. Os ônibus já tem, mas fica gravado, estamos instalando para que seja em tempo real.
Giovanna: Uma das medidas defendidas pelos empresários para reduzir também a quantidade de assaltos era a retirada dos cobradores para reduzir a circulação de dinheiro nos ônibus. Em que pé está essa mudança?
E a gente está numa campanha de incentivar as pessoas a usar mais o cartão. A gente teve muita reclamação esses dias, depois que foi anunciado o aumento da tarifa, por parte da população. A população tem um reconhecimento dos investimentos que a prefeitura tem feito e na melhoria da qualidade do serviço, não está 100%, temos ainda muitos ônibus antigos e a gente precisa melhorar bastante e a população tem dito isso pra gente. Nós temos avançado nos terminais, fizemos o T1 e o T2 totalmente modernizados, mas temos o T3, o T4, o T5 e as plataformas. Mas a população reclamou muito em relação ao troco.
As maiores reclamações que a gente recebeu de sábado até agora é com relação ao troco. Eles diziam: presidente, eles já ficavam com o nosso troco porque não tinha R$ 0,20, agora R$ 0,50. Nós cobramos o Sinetram, eles foram os bancos, conseguiram uma grande quantidade moedas e soltaram dentro dos ônibus para passar troco. O que a gente precisa? Se a pessoa usar dinheiro, leva moeda, não pega a moeda e deixa em casa. Nós gostaríamos que as pessoas façam o seu cartão cidadão. Você pode carregar naquele cartão dez, vinte, trinta passagens, assim você não precisa ficar circulando com dinheiro. Ai o bandido não leva o dinheiro e o cobrador também não vai ter mais aquela dificuldade de passar o troco.
Giovanna: Outras capitais tem opções de pagamento de passagem de ônibus no PIX, cartões de credito e débito. Como está esse processo de modernização do pagamento?
Nós concluímos esse processo, no início tínhamos uma empresa que operava. Esse é um problema apontado pelo prefeito David, a modernização [do sistema. A gente entende que com monitoramento, com tecnologia a gente consegue integrar mais as pessoas. Temos um programa que já estamos implantando, estamos trabalhando internamente a fase final, no programa de qualidade, que a gente quer implantar agora no segundo semestre. Esse programa de qualidade será implantado parte dele no aplicativo cadê ônibus, será feita uma avaliação onde a pessoa passo avaliar a viagem, se a viagem foi boa, quando chegou, se chegou no horário, se estava limpo, se estava fazendo barulho, porque a partir dessas informações gente vai identificando os pontos mais rapidamente pra gente fazer o atendimento mais rápido. É política do governo municipal o monitoramento e a tecnologia. Nós chamamos a empresa que fazia o que fazia serviço para o Sinetram e disse: nós precisamos evoluir, precisamos ter PIX, pagamento direto na conta, precisamos ter um controle melhor, precisamos saber algumas informações e implementar no aplicativo isso, isso e isso (sic). O Sinetram esbarrou no problema porque a empresa não conseguia dar rapidamente a resposta que o município está cobrando. Foi ai que eles decidiram trocar a empresa. Houve um problema durante alguns, porque é natural você está tirando um sistema e implantando outro. Hoje está totalmente resolvido. Hoje não temos mais as filas nos postos de atendimento, temos postos de atendimento on-line, se a pessoa quiser tirar o cartão ela entrar lá, faz o cadastro na página do Sinetran, você preenche todos aqueles dados, tem um atestado devida, uma foto, você faz tudo on-line e se quiser eles entregam o cartão na sua casa é tudo muito simples, tudo muito fácil, porque? Por causa desse avanço tecnológico. Tivemos que ter aquela medida dura no ano passado para poder agora contar com isso.
Aruana: Enquanto não tem a função de avaliação no aplicativo como é que hoje um usuário que viu um problema, tem uma reclamação, acha que alguma coisa não está legal como faz para essa reclamação chegue até vocês?
A gente tem um número 118. Hoje a gente tem uma Ouvidoria municipal pode ligar para a Ouvidoria municipal, existe um sistema do governo que chama acho que Mais Brasil que é uma Ouvidoria Nacional que você pode cadastrar ali também. Mas eu sempre digo para as pessoas pega o telefone liga no 118, que tem atendente 24 horas para atender você.
Aruana: Como a prefeitura avalia a Faixa Azul. Tem novidades para as próximas semanas?
A gente tem muito cuidado com a questão da Faixa Azul, porque todo projeto de implantação de ônibus em Manaus, ele foi muito prejudicado longo dos anos. Uma das primeiras conversas que eu tive com o David, quando ele nem era candidato a prefeito, ele perguntou qual era o problema do transporte e eu disse para ele, David basicamente o problema pode ser resumido em dois: primeiro a falta de continuidade e isso não se aplica só ao transporte, mas também ao trânsito. Eu dizia pra ele, veja quantos nomes o instituto de trânsito já teve e depois, eu falei pra ele, a falta de prioridade o que muito já passaram e disseram: a prioridade é isso, mas a prioridade só existe quando coloca recurso. E foi isso que o prefeito David fez, porque primeiro ele está primando pela melhoria do órgão, pela melhoria do corpo técnico. O último concurso foi em 2005. Eu já conversei com ele para que possa ser feito um concurso esse ano, não para contratar esse ano, mas para no próximo a gente possa ter novos técnicos para melhorar os quadros técnicos.
Aruana: A Faixa Azul está no fim dessa prioridade?
Voltando para a Faixa Azul. Eu não gosto muito de falar Faixa Azul porque foi usada de forma depreciativa. A prefeitura no governo do prefeito Alfredo Nascimento construiu os corredor exclusivos, eu gosto desse nome corredor exclusivo, se deu nome de expresso, o expresso virou ‘estresso’ e ali começou o problema de transporte, por um problema de conceito. A gente precisa que o transporte tenha um novo conceito. O novo conceito de transporte é um ônibus com ar-condicionado com novas tecnologias, com controle operacional e isso muda o conceito. A gente só vai conseguir concluir que esse transporte efetivamente se consolide como um transporte de massa de qualidade quando a gente tiver os corredores exclusivos, porque o corredor exclusivo dá para o operador a condição de garantir que o ônibus vai chegar no horário. Quando o ônibus entra no congestionamento na rotatória do Coroado junto com os demais não depende mais da empresa. Nesse primeiro trimestre, nós trabalhamos muito na consolidação do semáforo inteligente e na associação com o ônibus. Hoje o ônibus já tem prioridade no semáforo. O ônibus está comunicando no semáforo, é uma coisa que até não divulgou, mas internamente as equipes trabalharam muito para que os sistemas inteligentes estamos implantando em todo o Adrianópolis, Vieiralves e vamos avançando gradativamente. Ele vai tendo informação do ônibus, e ele vai ter prioridade.
Mas e a faixa azul?
Nesse mês de junho, estamos fazendo uma avaliação do corredor. Nós temos a Constantino Nery que é um trecho que já está consolidado, nós já retiramos todos os ônibus da direita. Então essa fase já está concluída Agora nós vamos avaliar como retornar é com o corredor [exclusivo/faixa azul]. A gente não quer que isso seja uma má ideia, que ela entre em operação que daí volte para aquela ideia de que é uma má operação.
Giovanna: Existem estudos para a implantação de outros modais como monotrilho, que foi discutido durante a Copa, ou mesmo o transpor fluvial?
Às vezes a gente se ilude com algumas ideias e quando a gente vai avaliar elas, a gente percebe que não dá certo. O transporte fluvial é meio ilusório, porque a gente olha a cidade e vê ela de frente para o rio e pensa que dá para fazer um transporte fluvial. Mas vamos pensar, a cidade está realmente de frente para o rio? Ela tem o rio na Compensa, no São Raimundo e no Educandos, porque quando você vai para Colônia [Antônio Aleixo] não tem aquela fábrica de trigo, aeronáutica, distrito e não tem mais ninguém. No plano de mobilidade quando foi feito os estudos em 2015 houve essa discussão de como é que agente vai fazer pra que o transporte fluvial seja aproveita. Ficou lá um indicativo para que fosse feito um plano de viabilidade, o prefeito Arthur, em 2019, fez esse estudo que demonstrou que não há viabilidade do transporte fluvial. O estudo foi pesquisar, por exemplo, qual era a quantidade pessoas que chegavam na Marina do Davi. No dia que mais chegou gente foi o dia com 800 pessoas. Aí você pergunta essas pessoas querem ir para onde? Meia dúzia queria ir pro Centro da Cidade outra meia dúzia queria ir para a Compensa, a maioria queria ir para a Zona Leste, então não dá pra trazer essas pessoas de barco. Não tem viabilidade do ponto de vista dos passageiros. Mas vamos pros outros: monotrilho, metro e pré-metro, esses são transportes que precisam de alto investimento em infraestrutura. Estamos falando em comprar um ônibus por R$ 751 mil para transportar 100 pessoas. Nós falamos aí de ter 1 km de metrô, [custando] algo em torno de R$ 100 milhões de dólares, por exemplo. Então estamos falando algo em torno de R$ 600 milhões para construir 1 km de metrô. Precisaríamos, para ter viabilidade, de 30.000 a 50.000 passageiros num sentido por hora, mas não temos esse passageiro, nosso passageiro está disperso ao longo da cidade de Manaus. Áreas consolidadas como o Centro cada dia perdem mais passageiros. O censo do IBGE mostram que Centro, Cachoeirinha, Praça 14 as pessoas estão saindo de lá e a atividade econômica está reduzindo. O recurso teria que vir de fora teria que ser empréstimo e o custo seria muito alto para este momento, mas isso não significa que não podemos pensar nisso daqui 10 anos.
Giovanna – Como está o processo de licitação dos radares eletrônicos? Já tem empresa vencedora?
A gente está aguardando, a CML [Comissão Municipal de Licitação] já concluiu o processo. Depois que conclui o processo tem toda a questão de documentação para que a gente possa divulgar. A gente deve anunciar o vencedor nos próximos dias, nos próximos 15 dias.
Giovanna: Já tem previsão dos pontos onde serão instalados?
Foi feito um projeto para projeto. Muita gente diz ‘ah, o radar serve para capilalizar’ na verdade o radar tem um custo. Para a prefeitura implantar o radar e depois ele vai se pagar. Quando você coloca o radar as pessoas diminuem. A gente está trabalhando há 10 anos com analise do Código Civil de Trânsito e as cidade que têm tido êxito são aquelas que implementaram uma política firme no controle de velocidade. Se você controla a velocidade você não tem acidente fatal. Eu estava outro dia no lançamento do maio amarelo, e o secretário de estado da saúde e ele dizia que até aquela data em maio, em quatro meses, tinham 600 e poucas pessoas hospitalizadas por conta de acidentes de trânsito e desses metade eram motociclistas. Então, veja, quanto nós estamos gastando dinheiro que poderia ser gasto para outras coisa cuidando de pessoas que sofreram acidente de trânsito. Como evita essas pessoas no hospital? Coloca controlador de velocidade que as pessoas se reeducam. Elas passam a andar mais lento, passam a respeitar as leis
Giovanna: E quais serão os pontos?
A gente tem que colocar radar onde tem os acidentes. A gente tem hoje as vias que são campeãs de acidentes, a Avenida das Torres, Avenida do Turismo, Avenida Coronel Teixeira, Avenida Autaz Mirim. O projeto não é colocar radar para multar, estamos com um amplo projeto de melhorar o tráfego da cidade, melhorar a fluidez com responsabilidade e isso implica que nos vamos ter que fazer controle de carreta. A gente controla a carreta porque ela não pode mais circular nas grandes avenidas das 6h às 9h00 da manhã e de 4h30 da tarde até 7h30 da noite que é o pico da tarde. Como a gente faz isso? A gente faz isso com o equipamento que detecte a carreta. Esse processo licitatório não é só de radar, ele é para avanço de sinal, outro dia morreu uma pessoa por que um cara avançou o sinal bateu outro carro, vamos ter o avanço de sinal, a faixa de pedestre, a velocidade, o controle do caminhão e o controlador para a faixa exclusiva de ônibus.
Aruana: São algumas milhares de câmeras então?
O projeto prevê pouco mais de 100 equipamentos, mas eles não vão ser instalados de uma vez. Esse é um processo que é um projeto para ser de 12 meses, extensivo em até 5 anos. Avisado o dia que a gente vai colocar isso vai ser amplamente divulgado, nada de pegadinha, vamos por as placas avisar as pessoas e porque a intenção é fazer com que a cidade flua melhor e a gente salve mais vidas.
Pergunta do internauta: Tem algum plano para implantação de mais ciclovias e ciclovias que tenham mais eficiência?
Agente teve uma dificuldade muito grande, porque nós recebemos aquela ciclofaixa da Ponta Negra funcionando e existia um questionamento muito forte Ministério Público com relação a que se aquela ciclofaixa poderia continuar e mais as três faixas de tráfego. As faixas ficaram muito reduzidas. Tem faixa, em alguns pontos, que só tem 2,50 metros de largura. Quando passa um ônibus é impossível passar dois veículos ao lado. A gente implementou um projeto de construir uma ciclovia que vai da Ponta Negra até a entrada da Avenida Brasil. No último trecho tem desapropriação. A ciclovia ia custar algo em torno de R$ 2 milhões pra ser construída, mas de desapropriação tínhamos R$ 4 milhões. Então era mais cara a desapropriação do que a obra. Esse projeto já foi licitado. A Seminf já fez a licitação e já deve ser construído o primeiro trecho. Quando for concluída a construção, a gente retira a ciclofaixa e deixa os ciclistas na ciclovia iluminada, toda pavimentada e adequada para que eles trafeguem com segurança. Não adianta construir ciclofaixa que dê segurança para o ciclista. Tem um trecho de ciclofaixa na Avenida das Torres que é um absurdo como que as carretas passam em alta velocidade ao lado do ciclista que estava naquela ciclofaixa. Então, tem um trecho que foi suprimido e também vai ser construída uma ciclovia naquele trecho, a Seminf está cuidando desse projeto. Nós temos um grande desafio no Boulevard onde foi construída uma ciclovia no canteiro central. Depois de construída ciclovia ela foi retificada, mas a retificação também não está não agradou os ciclistas, ou seja, ela não foi não foi bem ao encontro daquilo que eles pretendiam. Tem uma dificuldade de como conectar essa ciclovia do Boulevard com a da Ponta Negra que está vindo pela Avenida Brasil, porque a Avenida Brasil tem três faixas e nós não temos um espaço ali para ciclovia. Nós vamos enfrentar esse desafio agora quando terminar a ciclovia nós teremos uma solução. Onde for possível nós vamos eliminar o estacionamento do lado direito para colocar ciclovia, onde não for possível vamos ter que fazer obra e construir uma ciclovia naquele trecho, mas a nossa política cicloviária é continuar avançando, recuperando essas ideias que já estão implantadas e continuar avançando com novas implantações.
Agora mesmo nós vamos fazer a revitalização da ciclofaixa da Avenida Nathan Xavier ali existia uma sinalização muito antiga que era conflitante, então nós deixamos a sinalização desgastar ao máximo, ela já tem pouquíssima daquela sinalização já dá para nós fazermos uma nova sinalização e vamos fazer agora nesse verão. Vamos implementar uma ciclofaixa e ela já vai conectar com a ciclovia no Igarapé do Mindu para chegar na Grande Circular, da Grande Circular ela vai chegar ao T4. A gente quer instalar nesses novos terminais os primeiros bicicletários, para que as pessoas possam fazer a primeira parte da sua viagem de casa para o terminal de bicicleta.