Voo de uma pluma: a jornada de uma bailarina amazonense no Canadá
Com apenas 14 anos de idade, Maria Beatriz foi a única selecionada para a Alberta Ballet School, uma renomada escola de balé canadense
O equilíbrio, a leveza, os movimentos, a técnica e a disciplina fazem parte da vida dela desde muito cedo. Quem olha de fora se encanta com a delicadeza e a habilidade da menina, que parece que voa. Enquanto dança – as pontas dos pés, os saltos e piruetas – parece até uma pluma. É assim que a bailarina manauara, Maria Beatriz de Souza Santos, de 14 anos, encanta nos palcos. E o resultado disso é que ela foi a única brasileira selecionada para a Alberta Ballet School, uma escola de balé no Canadá.
Maria Beatriz cresceu no bairro de Flores, na zona Centro-Sul de Manaus, e começou a estudar balé quando tinha apenas 4 anos de idade, por influência da mãe que admirava a dança pela beleza. Foi quando ela ingressou na Escola Profissional de Ballet Álvaro Gonçalves, no Centro da capital amazonense, onde permaneceu até os 12 anos.
Aos 14, ela foi selecionada pela Escola de Dança do Teatro Municipal de São Paulo, onde ficou até recentemente.
“Balé é a minha vida! Sempre me perguntam o que eu quero fazer no pós-dança, mas para mim não existe pós-dança, porque a dança faz parte de mim. Então, enquanto eu estiver viva, vai ser a dança na minha vida, independentemente de onde ela esteja, seja dançando ou dando aula, seja como for, ela vai estar presente na minha vida. A arte é o que anima os meus dias e é o que me dá disposição para correr atrás dos meus sonhos”, destacou Beatriz.

Maria Beatriz de Souza Santos, 14, Amazonense selecionada para escola de balé no Canadá ()
Dedicação desde pequena
O professor de balé Álvaro Gonçalves, que acompanha Beatriz desde criança, conta a trajetória da bailarina e afirma que desde pequena ela mostrava muita dedicação.
“Desde que ela chegou aqui bem pequenininha já mostrava muita dedicação, muito interesse, coisas que muitas vezes o tempo vai passando e a criança vai desenvolvendo, mas ela não, ela já sabia o que queria e sempre foi uma aluna muito dedicada”, relatou.

Álvaro Gonçalves, professor de balé (Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)
Álvaro afirma que Beatriz também sempre foi uma aluna detalhista na técnica, trabalhava as correções e tinha interesse em desenvolver sempre o melhor na dança. De acordo com o professor, a dança é uma carreira muito difícil em vários aspectos, e é necessária muita persistência, e a bailarina Maria Beatriz é um exemplo disso.
“Para gente que está vendo e acompanhando, a gente fica muito feliz de ver todas essas conquistas. Para gente é uma coisa muito grande, muito valiosa, principalmente para nós aqui do Amazonas. A gente está um pouco distante, as coisas chegam aqui atrasadas, demoram pra chegar. Mas a gente vendo essa sementinha chegando lá – porque daqui pra frente ela vai fazer o caminho dela – então, a gente manda as melhores energias para que ela brilhe mais e vá mais longe, e nós estaremos daqui só aplaudindo”, disse o professor.
Única brasileira selecionada
A mãe da bailarina, Mônica Santos, afirma que recebeu a notícia de que a filha foi selecionada para a escola de balé no Canadá com certa apreensão, por Beatriz ser muito nova, mas com muita felicidade por ser uma grande conquista para a filha. Ela destaca que a audição é muito concorrida a nível nacional e internacional, tanto que Beatriz foi a única brasileira que passou esse ano na seletiva.
“São poucas as pessoas do Brasil que conseguem, porque essas audições são muito concorridas. Ela foi a única brasileira que passou, as outras que passaram são australianas, canadenses, americanas, coreanas, chinesas, e ela foi a única brasileira que passou esse ano, e nós ficamos muito felizes”, destacou Mônica.
Porém, a manauara afirma que ficou surpresa quando soube que foi selecionada. Beatriz ressalta que o balé clássico é uma dança “muito estereotipada”, e ela nunca teve exatamente todos os pré-requisitos que pediam. Mas, a bailarina relata que sempre buscou trabalhar as habilidades para desenvolver melhor a dança, com estudos extras fora de aula para que tudo desse certo, e aos poucos, os resultados estão chegando.
Voos mais longos
Em setembro, a bailarina Maria Beatriz deixa Manaus e embarca para a cidade de Calgary, no Canadá, onde deve estudar balé clássico por pelo menos um ano. Durante 6 meses Beatriz se dedicou exclusivamente para essa audição, mas a preparação dela é fruto de uma vida toda de dedicação.

Desde pequena, Beatriz mostra dedicação e é a única brasileira selecionada (Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)
“Só de aula e treino são cinco horas, fora a minha preparação física que é mais uma hora e meia. E ainda tem o inglês e os estudos para a audição, que dá mais ou menos duas horas. Então, é bastante tempo! E ainda tem a escola, que estou no nono ano, e lá no Canadá eu vou ingressar no 10º ano deles, que é o 1º do ensino médio aqui no Brasil”, detalhou Beatriz.