A dengue ameaça
O aumento em mais de 200% dos casos de dengue no Amazonas este ano coloca em evidência, em meio a pandemia, situações endêmicas que persistem no Estado e, anualmente, atingem milhares de pessoas. A dengue é uma delas.
As condições de vida e de tratamento dos pacientes acometidos pela doença foram agravadas pelo impacto provocado no Estado pela Covid-19 que entre os meses de abril e maio explodiu na cidade de Manaus e faz com que o Amazonas possuía, atualmente, um dos mais elevados índices de vítimas fatais do novo coronavirus, com mais de 3,2 mil mortes, praticamente o mesmo número de mortos pela doença em toda Bolívia.
A elevação dos casos de dengue no Amazonas, principalmente nas cidades do interior pede providências em curto prazo para que o ambiente familiar e social ainda sob o impacto do novo vírus não mergulhe em depressão diante das muitas ocorrências que abalam a vida das famílias e da população de uma cidade. Mesmo em Manaus, o quadro é de preocupação diante do porcentual de aumento da doença em 138% no primeiro trimestre deste ano.
O trabalho de prevenção, em condições adversas, exige ser feito imediatamente e pelo uso adequado da tecnologia para ampliar a fiscalização e o apoio às pessoas acometidas ou sob suspeita da doença. A outra tarefa é envolver diretamente os núcleos familiares, os movimentos de bairros e de outros coletivos numa rede pedagogicamente eficaz na missão de promover alertas e atitudes de prevenção à dengue.
Cabe às autoridades da saúde apresentar a proposta que utiliza para enfrentar esta outra realidade de enfermidades estaduais e atuar no sentido de reduzir os casos e os impactos que a dengue gera em outros setores e na economia estadual. Uma pessoa com dengue em geral fica impossibilitada de trabalhar por até sete dias naqueles casos que não há complicações, mas deixam o paciente debilitado.
Enquanto os métodos de enfrentamento à doença não conseguem evitar o aparecimento e a contaminação de humanos em larga escala, a medida mais adequada é seguir as recomendações sanitárias, arejar o ambiente de moradia e, se possível do trabalho, evitar poças e formação destas, ou depósitos abertos com água. Embora com bons especialistas nessa área, o Amazonas detém um dos mais altos índices da doença e ressente-se de um trabalho inovador na política de prevenção e de tratamento.