Manaus sex, 23 out
A Crítica
Opinião

A prevenção esquecida agrava quadro do Amazonas

Publicado em 29/01/2022 às 12h41 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h05
A prevenção esquecida agrava quadro do Amazonas

O Amazonas se assemelha a um celeiro de doenças. O número de contaminados pela nova variante da Covid-19, ômicron, e pelas síndromes gripais batem recordes diários e somam a outras doenças, dengue, tuberculose. A crítica condição do Estado pede providências que não estão sendo observadas, pelo menos como deveriam ser.

Prevalece, na política pública de saúde estadual e na capital, Manaus, o cuidar dos doentes, dos casos críticos e praticamente nada se sustenta em relação à prevenção. Possivelmente, para além do contexto de pandemia, uma proposta de saúde pensada como mecanismo combinado de prevenção resultaria do ponto de vista econômico economia expressiva e, noutro aspecto, a conquista da qualidade de vida pela maioria da população. No geral, governos e sociedade sairiam ganhando.

O modelo adotado do cuidar da saúde está vinculado principalmente ao estado de doença. No macro, as ações executadas são para tratar quem já adoeceu e isso em poucas áreas, pois, em outras, sequer a assistência médico-hospitalar consegue ser realizada, não alcança um grande número de pessoas.

Todo o sofrimento provocado nessa vigência da pandemia deveria ter um peso na tomada de decisão dos que têm a tarefa de administrar o Estado e os municípios a fim de alterar aspectos do modelo repetitivo. Os recursos financeiros para saúde avançaram, embora não estejam no melhor nível, o que deveria significar melhoria dos suportes de atendimento nos 62 municípios tanto de equipamentos quanto dos recursos humanos. Não é isso que se verifica, e sim a carência como regra.

Pensar a saúde noutra perspectiva, como é repetido por estudiosos da área, exige envolver outros setores da sociedade, o da educação, da alimentação, da moradia, do transporte, da cultura. Quando o foco é tratar doentes – o que é fundamental na realidade amazonense e brasileira – a ideia de saúde é profundamente desvirtuada e deformada impossibilitando que programas de prevenção e monitoramentos bem desenvolvidos possam ocorrer Ou seja, os governos não se sentem na obrigação de antecipar medidas para evitar que quadros de doenças ocorram e se agravem.

Por essa lógica, o Amazonas mantem-se longe de alcançar perfil desejável de atenção à saúde da população e repete os erros de décadas que tem foco na doença e nos doentes.