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A Crítica
Opinião

A produção do medo como estratégia de dominação

Um dos espaços de produção do medo em larga escala é o ambiente escolar. Já foram identificadas mais de 700 ameaças de ataques em escolas do País

Publicado em 22/04/2023 às 11h56
A produção do medo como estratégia de dominação
Foto: Matheus Perdiz/Semed

A instabilidade produzida no Brasil não envolve somente o atual governo. Ela parece ser de articulação internacional mobilizada para fazer valer um projeto de poder com outra matriz. Governos estaduais e municipais são atingidos e têm, a exemplo do plano federal, dificuldades ampliadas para desenvolverem programas e projetos destinados a melhoria das condições de vida das pessoas e das cidades.

Vários estudos, respeitáveis e com elevado grau de responsabilidade quanto aos critérios científicos, mostram como um movimento se realiza para reforçar medos e constituir nesse suporte espalhado nacionalmente um tipo de conduta e de reação. Um dos espaços de produção do medo em larga escala é o ambiente escolar. Já foram identificadas mais de 700 ameaças de ataques em escolas do País.

Com esse cenário, professores, pais e responsáveis por estudantes, servidores do administrativo e os próprios estudantes estão diretamente envolvidos na bolha do medo que afeta diretamente a capacidade de tomada de decisão racional.

No sistema em descontrole sobra espaço para as mais diferentes ações, aquelas que lucram com a desestabilização, o sofrimento e a sensação de paralisia costumam obter vitórias em seus objetivos.

Nesse momento em que governos em nível federal e estadual deveriam dedicar esforços no debruçar-se sobre temas fundamentais, como melhoria nas áreas de saúde, da educação, da geração de postos de trabalho e renda, na superação da desigualdade que assola o Brasil e na criação de outros parâmetros para incentivar a vivência da cultura do respeito, têm que concentrar o olhar, recursos financeiros, tecnológicos para lidar com os ataques e as ameaças nas escolas. E deve mesmo fazer isso a fim de assegurar sensação de segurança e de credibilidade à comunidade escolar.

Criar eventos de desestabilização de governos é um dos comportamentos que estruturas mais radicais e mais fechadas utilizam para atingir seus objetivos. Estabelecerem diferentes ambientes, como no parlamento, as vozes de ressonância dos eventos por meio de posicionamentos casados com tais objetivos é outro dado.

O que ocorre no Brasil é feição dessa estratégia que não é nova, apenas sofisticada a partir dos avanços e das possibilidades que a tecnologia oferece. Não é só o Poder Público que está sob ataques, são as instituições forjadas no princípio e na validação do processo democrático.