Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

Agonia sem importância

Publicado em 25/09/2018 às 11h31 · Atualizado em 13/03/2022 às 22h25
Agonia sem importância

O Tarumã-Açu, classificado como a maior bacia hidrográfica da área urbana de Manaus, está à morte como resultado direto de um processo de destruição iniciado em 1960 que só fez crescer. A questão posta é: a quem interessa a vida do Tarumã-Açu? Quem de fato se importa com o destino desse igarapé? E que consequências essa morte trará à população ma manauara?

Os dados demonstram que pouco interessa garantir a vida desse complexo e que a principal relação com ele é a de cobiça, de especulação e de privatização. Quando rios são mortos com eles outras mortes acontecem e deveriam ser lamentadas por toda humanidade bem como servir de reflexão e de posicionamento para impedir novas perdas.

A vida dos rios, dos igarapés, dos lagos, dos olhos d’água e dos mares depende diretamente da qualidade de vida dos homens e de como se relacionam como parte da natureza e não senhores dela. A matéria “Tarumã-Açu suspira”, primeira página do caderno de Cidades de A CRÍTICA, edição de ontem, traduz o tamanho do valor que temas dessa ordem têm para a sociedade e como a lentidão ou a omissão podem ser parceiras no processo de destruição de espaços semelhantes. O que poderia vir a ser um refúgio, um lugar especial para todos os seres vivos e remédio aos humanos vem sendo gradativamente destruído pelo consentimento amplo e geral. 

Manaus que padece pela falta de lugares como Tarumã-Açu, o calor intenso e reduzidas áreas verdes tende a ter qualidade de vida agravada por um entendimento político-administrativo que privilegia outras formas de ocupação dos espaços. Há, de modo geral, dificuldades dos administrativos em assegurar pequenas áreas de florestas e de incentivar as ações de arborização.

O que mais se verifica são as ocupações desses espaços, destruição de áreas verdes e dos igarapés onde iniciativas privatizadas passam a vigorar como regra de vida. A cidade é a expressão do que os moradores dela permitem ser feito e da visão daqueles que têm a responsabilidade de administrá-la. Assegurar desenvolvimento humanizado deveria ser dever inegociável do administrador e do cidadão e, para assim funcionar, é necessário  que desde a primeiro ciclo de estudos tais noções sejam ensinadas e aprendidas.