Alta do PIB e comodismo do Amazonas
Para manter o crescimento do PIB, o Amazonas precisa diversificar a atividade econômica, investir em educação, melhorar a logística, incentivar a inovação e desenvolver a bioeconomia, reduzindo a dependência da Zona Franca, para citar só algumas providências.
O PIB do Amazonas vai muito bem, exibindo crescimento acima da média nacional; em 2025, o crescimento real – descontada a inflação – foi de 3,29%. O resultado foi puxado, principalmente pela indústria da Zona Franca de Manaus e pelo setor de serviços. No entanto, tal performance também é um perigoso convite ao comodismo que pode se traduzir na falta de interesse real em diversificar a economia, preparando o terreno para um futuro ainda mais próspero e sustentável.
Para manter o crescimento do PIB, o Amazonas precisa diversificar a atividade econômica, investir em educação, melhorar a logística, incentivar a inovação e desenvolver a bioeconomia, reduzindo a dependência da Zona Franca, para citar só algumas providências.
Nunca é demais lembrar: os incentivos fiscais do modelo ZFM estão garantidos até o ano de 2073, com término efetivo em 1º de janeiro de 2074. O que a atual geração de gestores públicos, lideranças empresariais e políticos está fazendo é delegando às próximas gerações o trabalho de se preparar para o término da ZFM. A estratégia de alguns, inclusive, é apostar em uma nova prorrogação dos incentivos, uma vez que tantas já foram efetivadas. Porém, é fato que temporalidade é uma característica intrínseca do modelo, de modo que tentativas de novas prorrogações certamente enfrentariam ferrenha resistência, até mesmo com o argumento de uma possível inconstitucionalidade.
Além disso, o mundo está mudando rapidamente, e o cenário para as próximas décadas é cada vez mais imprevisível. Seria mais produtivo começar a fortalecer a economia fomentando a exploração sustentável de riquezas naturais que o Estado possui desde sempre. Já está mais que comprovada a viabilidade econômica do manejo florestal. É algo que pode ser feito sem comprometer a sobrevivência da floresta.
O mesmo pode-se dizer do turismo, que mesmo com o gigantesco potencial da Amazônia, ainda responde por menos de 2% do PIB estadual. Enfim, o Amazonas está confortavelmente sentado sobre um PIB que cresce, mas pouco faz para assegurar que tal crescimento se mantenha e se amplie nas próximas décadas.