Apesar de tudo, mais empregos
No Amazonas, o saldo no mercado de trabalho também foi positivo com a criação de 1887 novos empregos, sobretudo no setor da construção civil, que contribuiu com a criação de mais de 600 empregos
O País acaba de registrar a criação de mais de 155 mil empregos com carteira assinada no mês de maio, totalizando mais de 865 mil novos postos de trabalho nos primeiros cinco meses do ano. Se não é um recorde, tampouco é um número desprezível e não deixa de ser motivo de celebração, como mais um indicador de que a economia brasileira segue em ritmo de recuperação.
No Amazonas, o saldo no mercado de trabalho também foi positivo com a criação de 1887 novos empregos, sobretudo no setor da construção civil, que contribuiu com a criação de mais de 600 empregos.
Porém, os números apurados e divulgados pelo Ministério do Trabalho, por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), também revelam alguns aspectos que merecem atenção. Um deles é o avanço do setor de serviços, que foi o que mais cresceu no período: 54%. Não é à toa que lideranças do setor estão muito preocupadas com os rumos da reforma tributária, cujo esboço ainda deixa o setor imerso em dúvidas e sob risco de enfrentar aumento de carga tributária.
A indústria, por outro lado, foi o setor que menos cresceu, ainda refletindo um cenário de estagnação que, infelizmente, também ocorre na Zona Franca de Manaus, onde o saldo em maio foi de apenas 18 postos de trabalho. O resultado não chega a ser uma surpresa, mas acentua a urgência de retomada no setor que é o motor da economia amazonense.
Porém, a alta nos empregos soma-se a um conjunto de boas notícias no campo conjuntural: a projeção para o crescimento do PIB nacional foi novamente revisada para cima; a inflação continua em queda e existe a forte expectativa de que os juros, finalmente, comecem a cair a partir de agosto. Essa medida é aguardada com bastante ansiedade pelo governo e pelo mercado.
É óbvio que a Selic elevada não é o único, nem o principal motivo para marcha lenta do mercado – um complexo conjunto de fatores internos e, principalmente, externos, leva a esse panorama. Mas é inegável que o recuo dos juros é fundamental para um crescimento consistente.
Lideranças empresariais fazem coro com o ministro do Trabalho ao afirmar que o resultado do Caged seria ainda mais expressivo se a taxa de juros fosse mais favorável aos investidmentos e à tomada de crédito. Tudo leva a crer que o movimento de corte nos juros está perto de começar, o que terá impacto imediato na geração de empregos, inclusive no Amazonas.