Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

Arruaça de sangue azul

Os rapazes envolvidos devem ser capturados para enfrentar o devido processo legal referente a seus atos tresloucados

Publicado em 23/10/2024 às 08h52
Arruaça de sangue azul
Foto: Divulgação

É revoltante a atitude dos três jovens que “tocaram o terror” na madrugada de Manaus, perturbando a ordem e colocando a vida de pessoas em risco. Portando armas de fogo, os jovens acabaram produzindo provas contra si mesmos ao gravar e divulgar, com orgulho, em redes sociais o que devem considerar grandes feitos. É verdade que muitos jovens têm a irresponsabilidade e a inconsequência como parte inerente ao próprio fato de serem jovens. No entanto, uma vez que são todos maiores de idade, e cometeram crimes – pelo menos nove, segundo a Polícia Civil – os rapazes envolvidos devem ser capturados para enfrentar o devido processo legal referente a seus atos tresloucados. 

De modo algum a pouca idade pode ser usada como desculpa para o cometimento de crimes. Da mesma forma, também a condição social dos arruaceiros não pode ser usada como escudo para seus exageros. O nome da operação policial que busca os jovens é bastante adequado: “sangue azul”, devido ao fato de que se trata de pessoas “bem-nascidas”, provenientes de famílias abastadas de Manaus, moradores de áreas nobres. É praticamente certo que os três suspeitos, que se encontram na condição de foragidos, uma hora ou outra se apresentarão à polícia, devidamente acompanhados de seus respectivos advogados, o que, por si só, já deve assegurar um tratamento completamente diferente do que seria dispensado se os procurados fossem jovens pobres da periferia. 

Na verdade, se fossem rapazes pobres do bairro Jorge Teixeira, por exemplo, provavelmente já estariam presos. É utopia pensar em uma realidade em que o dinheiro tenha pouco ou nenhum peso na investigação e punição de criminosos. 
A sociedade manauara aguarda com curiosidade a manifestação dos familiares dos moços envolvidos na operação Sangue Azul. É natural que famílias e amigos queiram proteger os rapazes. Mas se espera que, pelo menos, sintam vergonha pelas atitudes deploráveis e, sim, criminosas, perpetradas por jovens sem noção que precisam de uma dose cavalar de realidade. Que sejam encontrados, que respondam por seus excessos e, principalmente, que mudem a rota de suas vidas, pois ainda há tempo de se tornarem cidadãos produtivos para a sociedade.