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A Crítica
Opinião

As lições da fuga de “Mossoró”

A fuga de Mossoró indica que o sistema, em algum momento, foi corrompido e poderá vir a ser

Publicado em 06/04/2024 às 10h22
As lições da fuga de “Mossoró”
Foto: Reprodução

A recaptura dos dois prisioneiros da penitenciária federal de Mossoró (RN) expõe muitas questões cruciais para um melhor entendimento da segurança pública no Brasil. Os fugitivos de uma unidade de segurança máxima e o tempo de mais de 50 dias até à captura no dia 4, no Pará, mostram como um esquema criminoso, envolvendo vários braços, nacionais e, talvez, internacionais, desenvolveu um plano de ação e consegui atuar estrategicamente para obter êxito nessa ação.

Não se trata apenas de dois presos que conseguiram fugir e sim da demonstração de força e de alcance de uma rede ampla que ofereceu suporte técnico, de locomoção, de hospedagem e recursos financeiros para completar a fuga e, por pouco, a transferência deles a outros países.

Outra dimensão é o que viria em seguida com os prisioneiros reconectando contatos e reforçando facções criminosas para seguirem com os atos em diferentes cidades brasileiras e de fronteiras. Ao mesmo tempo, pela primeira vez, esse tipo de fuga teve êxito e, com ela, é colocado sob suspeição a eficiência da segurança máxima nesse tipo de unidade prisional. Esquemas internos teriam sido operados para facilitar os movimentos dos prisioneiros até à saída do local.

Os laços e enlaces da corrupção estão postos e diversificados. A fuga de Mossoró indica que o sistema, em algum momento, foi corrompido e poderá vir a ser. Para o governo federal, ao capturar, a partir de uma mega operação, os dois homens sem mortes, é um dado positivo em meio a um número elevado de mortes em operações policiais como, por exemplo, em São Paulo, com registro de aproximadamente 200 pessoas mortas este ano. Apresenta também a necessidade de avaliar o sistema, avançar no uso de tecnologias que reforcem e refinem o controle e a segurança nesses espaços demonstrando capacidade de enfrentar, de forma criativa, as raízes corruptas entranhadas nos prédios por ação humana.

Do lado de fora, o quadro é igualmente preocupante. Facções criminosas se apossam cada vez mais dos espaços públicos e firmam acordos envolvendo setores dos poderes executivo, legislativos e judiciário, atraem jovens e estabelecem códigos próprios para comunidades nas capitais e nos municípios onde atuam. O Brasil é desafiado a encarar esse outro tipo de governo e desmantelar as suas bases.