Brasil para aprender liberdade e autonomia
País tem desafios complexos que envolvem a superação de profundo quadro de desigualdade, da violência em elevados níveis
Há 202 anos o Brasil celebra a independência do Império Português. É um tempo menor do que os 322 anos sob o domínio colonial português e um tempo de experiências como país livre em busca do seu caminho e da compreensão do que é a liberdade e a autonomia. Foram muitos ciclos de modelos autoritários e arbitrários, de aquiescência à escravização e ao racismo.
Neste dia da independência, para além dos desfiles civil-militares que integram uma determinada estética mundial, os gritos dos excluídos são a outra estética. Ainda hoje, a sociedade e o setor produtivo convivem com trabalhadores em situação análoga à escravidão, um dado da longa caminhada a ser feita para enfrentar e superar esse tipo de comportamento criminoso.
O país tem desafios complexos que envolvem a superação de profundo quadro de desigualdade, da violência em elevados níveis contra as mulheres, dos povos indígenas, população negra, LGBTQUIAPN+, dos PCDs, dos idosos e das crianças. De inaugurar e ampliar acesso à moradia, à saúde pública, educação, transporte público de qualidade.
A colonialidade permanece como mecanismo de influência na operacionalização dos espaços públicos e privados, nas instituições e no cotidiano. Aos povos indígenas e negros, a realidade denuncia o quanto o Brasil tem a cumprir a fim de superar a condição de dominado e de escravização de mais de 5 milhões de africanos trazidos à força para neste país serem tratados como animais submetidos a todo tipo de tortura e responsáveis pela base da economia brasileira.
Na história brasileira, o longo período de pessoas submetidas à escravização – entre os séculos XVII e XVIII – deixou uma herança que precisa ser conhecida, refletida e superada em toda o arcabouço administrativo da nação e ter a capacidade de influenciar a sociedade para fazer a adequada ruptura cultural com o sistema. Outro elemento é o extenso tempo em que o Brasil viveu sob ditadura civil-militar, as sequelas deixadas e como, na atualidade, movimentos radicais pedem e planejam a volta da ditadura, o fechamento do Supremo Tribunal Federal e a consumação de uma série de retrocessos.
O dia da independência remete à urgência de rever o passado, sentir o presente e, no conjunto, confeccionar o futuro que começa já. Esse é o compromisso.