Brasileiros e a independência do país
Uma das tarefas do Brasil nesses 200 anos de independência é a de chamar para si a responsabilidade de agir para reduzir as desigualdades
Os 200 anos de independência do Brasil são uma das oportunidades históricas para ampliar a compreensão em torno do ambiente em que se deu o ato demarcatório, como o país independente vem se comportando e qual noção de independência tem sido construída pelo conjunto de atores sociais da nação.
Populações negra e povos indígenas são a maioria da sociedade brasileira vítima de histórico processo de racismo e de exclusão. São os mais pobres, o contingente de miseráveis, de desempregados, da informalidade e estão em maioria nas estatísticas de morte e dos presidiários.
Quanto aos indígenas, o modelo de desenvolvimento econômico e de integração tem sido na direção de eliminar as culturas desses povos e “civiliza-los” para que se tornem, a partir disso, cidadãos brasileiros. Ou seja, que deixem de ser indígenas. A independência do país passa necessariamente pela garantida da vigência democrática e do abrigo das lutas pela condição pluriétnica de países com as características como a do Brasil.
Enquanto uma cultura for exercida na sobreposição das demais, o que existe de fato é uma forma de abrigo e de ação da discriminação e do racismo como se fossem naturais para a sociedade.
No Brasil, indígenas e negros foram impedidos de acessar escolas, lugares públicos, à estrutura da saúde, dos transportes, da habitação com dignidade. Algumas conquistas efetivadas a partir de lutas seculares e de muitas mortes necessitavam ser ampliadas para serem completadas em níveis mais elevados até se tornarem políticas públicas do Estado. São as conquistas realizadas por indígenas, pelo povo preto, os quilombolas e as comunidades tradicionais que ora estão sendo desestruturadas, ampliando retrocessos e aprofundando o violento processo de exclusão.
Uma das tarefas do Brasil nesses 200 anos de independência é a de chamar para si a responsabilidade de agir para reduzir as desigualdades e assegurar os direitos constitucionais do povo preto, dos povos indígenas; reduzir a pobreza e enfrentar o sistema de desigualdade que foi instalado no país. O sentido de independência de uma nação precisa ser aprendido desde a primeira fase de escolarização. É matéria para toda a vida até que o princípio seja assumido pela sociedade, apreendido e não negociado. A independência está ligada ao princípio da dignidade que toda pessoa deve ter.