Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Campanha da Fraternidade é convite à ação

O tema deste ano é "Fraternidade e Ecologia Integral", conforme foi apresentado ontem pelo arcebispo de Manaus, Cardeal Leonardo Steiner

Publicado em 28/02/2025 às 09h25
Campanha da Fraternidade é convite à ação
Foto: Divulgação

No ano em que se realiza a COP-30, em Belém, o meio ambiente volta a ser o tema da tradicional Campanha da Fraternidade, realizada anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no período da Quaresma, como forma de estimular a reflexão a respeito de temas relevantes para a comunidade católica e cristã como um todo. O tema deste ano é “Fraternidade e Ecologia Integral”, conforme foi apresentado ontem pelo arcebispo de Manaus,  Cardeal Leonardo Steiner.  Segundo explicou o líder religioso, defender o meio ambiente significa proteger a própria integridade da Criação, sendo, portanto,  não apenas um ato de amor a Deus, mas também é ao  próximo uma vez que todos dependemos da manutenção do equilíbrio ecológico.

Não é a primeira vez que a preservação da natureza é tema da campanha. Em pelo menos nove ocasiões,  a defesa do meio ambiente foi o mote  como em 2004 (Fraternidade e Água: Água Fonte de Vida) e 2007 (Fraternidade e Amazônia:  Vida e Missão Neste Chão).  No entanto, desta vez, a preocupação está focada nos desastres naturais que vêm ocorrendo no Brasil e no mundo em decorrência das mudanças climáticas. 

Infelizmente, ja convivemos há anos com eventos climáticos extremos,  inclusive na Amazônia,  onde severas secas e enchentes históricas têm se tornado frequentes. As  fortes chuvas que alagaram Rio Grande do Sul, o Pantanal que não para de secar, e as ondas de calor no Sudeste são apenas alguns exemplos mais próximos. Os fenômenos estão em todo o mundo,  levando-nos a pensar se ainda é possível reverter o processo de aquecimento do Planeta. Para muitos especialistas, estamos muito próximos do ponto de não retorno. Este será,  certamente, um tema  central nas discussões da COP-30.

Ocorre que algumas das principais nações do mundo ainda não estão encarando o assunto com a devida seriedade. Os Estados Unidos acabam de  se retirar do acordo de Paris – tratado internacional que vincula juridicamente os  signatários a agirem para combater as alterações climáticas. Outros como Irã e Líbia nunca assinaram o acordo. Sem união ou sequer consenso em torno da questão, a Campanha da Fraternidade deste ano se apresenta como um convite à reflexão, mas também à  ação.