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A Crítica
Opinião

CBA: nunca mais uma ‘anta branca’

Publicado em 24/11/2018 às 14h28 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h55
CBA: nunca mais uma ‘anta branca’

Em 2003, logo após a inauguração do prédio do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), o então secretário de Política Tecnológica do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Francelino Grando, reconheceu que o Centro era uma “anta branca” no meio da floresta, uma vez que o prédio foi construído sem que houvesse um modelo de gestão definido. Quase 16 anos após sua inauguração, o CBA, finalmente parece estar prestes a ser inserido em uma estratégia concreta de desenvolvimento.

E um dos principais motivos para acreditarmos nisso é o fato de que o CBA acaba de ser abraçado pelos próprios amazônidas. A entidade que cuidará da gestão do Centro é a Aliança para a Bioeconomia da Amazônia (ABio), formada por 12 instituições locais ligadas à pesquisa e à biodiversidade, como Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA), entre outras. As entidades deixaram as divergências de lado e se uniram para garantir que todo o potencial do CBA seja desenvolvido e aproveitado na própria região, o que não estaria garantido se a gestão do Centro ficasse nas mãos de alguma instituição sem raízes locais. 

Finalmente, o CBA começa a dar os primeiros passos rumo à realização de sua função social: estabelecer um elo entre a inovação em estado bruto e a produção. Essa era a ideia há 16 anos, quando a instituição foi inaugurada: ser um instrumento da indústria no desenvolvimento de produtos a partir dos recursos da floresta. A transformação do CBA em Organização Social (OS) resolve o problema essencial da falta de personalidade jurídica e concede ao Centro a autonomia necessária para firmar contratos e desenvolver projetos, livre do imbróglio que foi sua gestão desde que foi inaugurado.

Mas o desafio está apenas começando. Os novos gestores já sabem que o orçamento previsto pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) – ao qual o Centro está atrelado – é insuficiente para o bom andamento das atividades de pesquisa. Além disso, trata-se de um ministério que será absorvido pelo “superministério” da Economia. A execução orçamentária do novo ministério é uma incógnita. O futuro parece incerto, mas, antes tarde do que nunca, o CBA pode finalmente deixar de ser uma “anta branca” para se desenvolver com o vigor de uma onça.