Cidades e violência contra as mulheres
Manaus, abriga áreas em que mulheres correm riscos e sofrem agressões de fato
O Amazonas é um dos lugares inseguros para as mulheres. A capital, Manaus, abriga áreas em que mulheres correm riscos e sofrem agressões de fato. Na Amazônia, a taxa de feminicídio, de 30.8%, bem superior a da média nacional (dados de 2023).
Manaus mantém marcas profundas do patriarcalismo, das violências explicitas ou simbólicas, e se mantém longe de ser uma cidade acolhedora para as mulheres. Mas, pode mudar, se houver determinação política e sensibilidade para inseri-la em outra relação. Pensar o espaço público como de segurança as mulheres vem sendo um dos temas de debates na área de planejamento urbano em alguns estados do País.
Eis um debate no qual o Amazonas precisa entrar, incentivar e redirecionar as linhas de planejamento urbano vigentes. O processo participativo das mulheres é um dos caminhos que precisa ser percorrido para instaurar outra cultura.
Estudiosos apontam a necessidade de humanizar o planejamento urbano, refletir sobre os modelos preponderantes de equipamentos públicos que funcionam como esconderijo para agressores. Inserir as mulheres nos debates que deveriam preceder a tomada de decisão em planejamento urbano possibilita outra escuta e inaugurar outros processos.
A maioria das cidades brasileiras ignora esse tipo de participação e adota modelos repetitivos cujos conceitos urbanísticos já deveriam ter sido superados. E é nas mulheres, na mobilização delas, na postura de escuta atenta e de produção de subsídios que residem os elementos para in iniciar mudanças.
Cidades amigáveis para as mulheres oferecem bons resultados em geral porque nessa postura criam naturalmente ambientes amigáveis as pessoas idosas, crianças, PDCs. Quanto mais as mulheres se sentirem em segurança para ir e vir, viajar sozinhas, frequentarem ambientes de lazer, poder circular em diferentes horários, melhor será essa cidade e mais apta estará para continuamente fazer adaptações e mudanças.
Não se trata de um sonho para não ser realizado, e sim, concretizado desde que o assunto seja pautado, as organizações do movimento de mulheres se engajarem nessa luta e formularem as suas propostas. Depois, com alianças estratégicas, fazerem virar leis. Não é uma tarefa fácil, ao contrário desafia, pois, enfrentará as marcas que estão postas na cidade e precisam ser superadas a fim de que as agressões e mortes de mulheres sejam enfrentadas e superadas porque a cidade já não aceita ser abrigo e também produtora da violência.