Cientistas pedem mobilização pela Amazônia
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realiza, até o dia 24, a Mini Reunião Anual Virtual, com uma série de minicursos e painéis. Aberta no dia 12, a reunião tem proporcionado um amplo espaço de debate sobre a condição e a ação da ciência nos diferentes campos do Brasil.
Entre os temas, a Amazônia é um dos destaques, não somente por ter sido incluído na programação organizada pela SBPC nacional em parceria com as seções regionais, e sim por um impressionante volume de perguntas e colocações feitas pelos internautas. O Amazonas, em função da situação em que foi colocado na primeira fase da pandemia, e os povos indígenas foram citados com recorrência como parte de pesquisas feitas, outras não concluídas por vetos do governo federal e outras que estão em andamento.
No geral, os dados colocados por pesquisadores, sejam eles da área médica, da história, da sociologia, da educação, da antropologia e da biologia tratam de possíveis conexões do covid-19 com os caminhos e as ações da economia internacional nas cidades, a exemplo de Manaus, onde empreendimentos chineses se ampliam; o baixo nível de saneamento básico da maioria das populações da Amazônia; a pobreza endêmica; e a desestruturação do sistema de atenção à saúde na maioria das cidades do interior da região.
Para os cientistas, em especial os da medicina, é muito preocupante a situação dos povos indígenas que estão convivendo com três ameaças: a ação de uma parte do agronegócio que se expande e aumenta o desmatamento; as atividades ilegais na Amazônia por madeireiros, garimpeiros, narcotraficantes; e uma política governamental que retrocede aos anos de 1970.
O cenário descrito pelos pesquisadores é crítico. Todos eles de forma direta ou indireta manifestaram a necessidade de avançar em campanhas que pressionem o governo e o Congresso Nacional para ações mais efetivas que reduzam os riscos e ampliem a defesa da região e dos povos indígenas. Há concordância de que o aprofundamento da vulnerabilidade na Amazônia e nas comunidades indígenas se deu em decorrência da falta de atenção governamental para com os indígenas e a região, retirando-os da pauta de prioridade, desfazendo acordos e programas e sinalizando com ampliação de atividades indevidas na Amazônia. A pandemia somou-se a essa realidade.