Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Circo de horrores

Publicado em 05/01/2022 às 10h55 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h07
Circo de horrores

Enquanto a variante Ômicron lota os leitos para covid em alguns Estados, levando governadores e prefeitos a cancelar o Carnaval de rua, o Ministério da Saúde promovia um debate completamente desnecessário sobre a vacinação de crianças, sendo que o procedimento já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que nem enviou representante ao evento, dado o show de horrores anunciado, com discursos ensaiados de médicos negacionistas empenhados em dar algum verniz de respaldo pseudocientífico a argumentos sem pé nem cabeça.  

É tristemente absurdo ver grupos portando faixas com os dizeres “não somos cobaias” para protestar contra a vacinação de crianças. A Anvisa não autorizou a vacinação de menores com base em argumentos ideológicos. A Agência, como não poderia deixar de ser, adota critérios técnico/científicos, alinhados às melhores práticas utilizadas em todo o mundo. Não é à toa que pelo menos 16 países já estão vacinando crianças. São nações como Alemanha, Argentina, Áustria, Canadá, Chile, China, Cuba, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Hungria, Israel, Itália e Portugal.  

A pandemia já se alonga por mais de dois anos, matou milhões de pessoas, sendo mais de 619 mil no Brasil; a vacinação já demonstrou sua eficácia, derrubando os números de internações e óbitos em todo o mundo. Ainda assim, no Brasil, houve uma consulta pública flagrantemente direcionada, com a clara intenção de pôr em dúvida a eficácia das vacinas. A impressão é que parte dos altos escalões da República vive em um País das Maravilhas, onde a covid é uma doença ordinária, a economia não está em frangalhos e as pessoas não estão exaustas.  

Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza já cancelaram o Carnaval de rua em face do aumento de casos da variante Ômicron – que mesmo menos letal, pode levar à morte – e das epidemias de gripe. Os cuidados precisam ser mantidos. A despeito dos números decrescentes de novos casos e óbitos, é fato que a pandemia não acabou. Muitas vidas já foram perdidas, e o fato de a variante matar menos não é motivo para baixar a guarda. O risco permanece, se não para mim ou para você, para alguém; e a vida dessa pessoa vale tanto quanto a de qualquer pessoa.