Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Clube de tiros nos holofotes

Desde as primeiras notícias, no domingo, a respeito do incêndio, inúmeras pessoas querem saber se convivem em suas áreas de moradia com centros de tiro e que tipo de garantia existem nesses lugares

Publicado em 17/01/2023 às 11h52
Clube de tiros nos holofotes
Foto: Clovis Miranda

O incêndio em um clube de tiro na Zona Oeste de Manaus causou a morte de cinco pessoas e deixa uma pergunta no ar: as normas para instalar e operacionalizar um estabelecimento como este estão sendo cumpridas? E, a partir desse questionamento, outros igualmente precisam ser respondidos pelos setores competentes, com apresentação de provas: quem vistoria, quais são os responsáveis pela administração do lugar e que profissionais estão atuando nos cluber de tiro para assegurar o cumprimento dos critérios técnicos?

Desde as primeiras notícias, no domingo, a respeito do incêndio, inúmeras pessoas querem saber se convivem em suas áreas de moradia com centros de tiro e que tipo de garantia existem nesses lugares, que são cada vez mais frequentados por donos de armas com registro do tipo CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores). Dados divulgados pela mídia nacional apontam que a abertura cresceu entre 2019 e 2022, saindo de 1.055 unidades para 2.061 em todo o País.

Ao mesmo tempo triplicou no Brasil o registro de armas de fogo. Em média, 2 mil armas foram registradas no período de setembro a novembro do ano passado. Assim, pode-se intuir que a sociedade está convivendo com um tipo de “bomba” que pode explodir a qualquer momento.

Somada a outros eventos, a facilidade em comprar armas se constitui em mais um instrumento de incentivo a comportamentos violentos e da ideia de que a resolução de problemas e de conflitos entre as pessoas pode ser feita por meio de disparos de armas de fogo. 

Outro aspecto preocupante é que grupos de narcotraficantes conseguiram na política de incentivo ao armamento aumentar os arsenais de armas que controlam e, com eles, avançaram drasticamente para o interior dos estados impondo códigos de comportamento às populações dessas cidades.

É um cenário onde o perigo ganhou corpo maior e transita como se normal fosse 
entre as pessoas, as casas, as instituições. 

O caso de Manaus e as respostas que forem dadas poderão ser um indicador do que deve ser feito, legalmente, nessa área, ou assistiremos a outras tragédias.